João Henrique Caldas fica na retranca, sai nos contra-ataques, estica a corda nos limites da dissimulação, selou e quebrou acordos – e o prazo acabou. As especulações deste texto não têm sobrevida além de poucas horas. Ao menos na versão final de uma ata, haverá duas informações aguardadas há meses e meses. O nome do candidato JHC virá associado ao posto de governador ou senador. Nenhum analista crava – agora – 100%.
Como já escrevi aqui, há pelo menos dois anos que esse enredo vai e volta entre ondas gigantes e maré de remanso. Muita coisa mudou desde que o ex-prefeito da capital foi reeleito em 2024. A partir dali, começa o movimento que resulta em tal mistério, hoje, a poucas voltas no ponteiro para o fim da prorrogação. Dúvidas e pressões de sobra.
Segredo assim lembra o caso de Fernando Collor em 2006. Também já tratei sobre aqui no blog. O ex-presidente virou candidato ao Senado a 26 dias da votação. A candidatura, que seria vitoriosa, nocauteou dois adversários ao mesmo tempo: Ronaldo Lessa e Thomaz Nonô. Outro contexto, mas com influência até os dias que correm.
Para se ver como João Henrique conduz real enigma, e para ver como ciência política não advinha nada, especula-se até que não haverá candidato nenhum. Em outras palavras, JHC pode escolher a desistência, não concorrer nem a senador nem a governador. O que é tratado como delírio também é listado como tranquilo e calmo.
Alagoas vive uma situação única no país. Em nenhum outro estado temos quadro semelhante ao nosso. Uma decisão pode decretar o nome do futuro governador. Sem JHC, o senador Renan Filho praticamente ganha por WO. É o que projetam pesquisas sobre a corrida pelo Palácio dos Palmares. Não parece um fecho plausível.
De quebra, voltamos ao debate brasileiro, com um lembrete de velhos termos associados ao estado. Comentaristas ressaltam que “Alagoas é geograficamente pequeno, mas é um estado sempre no coração do poder”. CNN. “A gente lembra os tempos da República das Alagoas”. (UOL). As histórias atuais seguem abrindo estradas e manchetes.
Em pleno sábado de sol, um grupo de mandachuva decide os rumos políticos em Alagoas. Uma decisão com potencial para o imponderável e a reviravolta. O Brasil espera para logo mais o fim do mistério que afeta até as confabulações na corrida presidencial.
Entramos nos descontos da prorrogação, após o tempo regulamentar. Não se esperava que o impasse para os lados de JHC chegasse no pós-limite do razoável. Num caso desses, o que se pode fazer de muito diferente do que já se fez até aqui? Até já.
