Renan Santos defende que o Brasil invista em armamento nuclear e tenha bomba atômica. Ele também quer ver o país cheio de presídios com capacidade para receber, cada um, 30 mil detentos. O político de 42 anos de idade faz política inspirado no slogan “prendeu, matou”. A referência de estadista para Renan Santos é Nayibe Bukele, o presidente de El Salvador que atropela as instituições, ignora a presunção de inocência e incentiva a tortura. O conjunto da obra seduz parte do mundo contemporâneo.
Renan Santos anunciou ao Brasil que, se eleito presidente da República, não vai cumprir decisões ilegais do STF. Sim, segundo esse ponto de vista, um presidente vai decidir sozinho o que é e o que não é “uma decisão ilegal”. O país viverá o tempo inteiro sob “estado de exceção” – como ocorre em El Salvador, como é regra nas ditaduras.
Renan Santos diz acreditar que meninas fazem aborto porque são pervertidas. Devem ser presas. Assistência para garotas vítimas de estupro? Nada. Propostas para combater o feminicídio? Nada. Mais de 90% dos filiados ao Missão, o partido de Renan Santos, são homens. Eles juram que é preciso recuperar o poder do macho.
Missão, o partido criado por Renan Santos e seus amigos, é um subproduto do MBL, o Movimento Brasil Livre. A turma pintou na área a partir dos protestos de junho de 2013, cresceu a partir de 2014 e ganhou todos os holofotes no processo de impeachment de Dilma Rousseff. O MBL abraçou o bolsonarismo com todo o fervor.
Decididos a tocar seu próprio projeto, sem amarras a partidos e lideranças no pedaço, romperam com Bolsonaro e partiram em via particular. Nessa aventura – e isso é assustador, mas não surpreendente – o discurso do Missão já encanta o “mercado”, a “Faria Lima”, os donos do dinheiro. Eles querem o Estado abaixo do “Estado mínimo”.
Porque os rapazes “revolucionários” do MBL e do Missão abominam coisas como Bolsa Família, Pé-de-Meia, Gás do Povo e qualquer outra forma similar de combate à desigualdade. Para eles, isso é “esmola” e configura “gastança do dinheiro público”. Para eles, o povão que se beneficia desses programas é um bando de preguiçosos.
Renan Santos e seus aliados veem na arte uma janela para a “imoralidade”. Eles também abominam a universidade – esse ambiente de maconheiros, esquerdistas e depravados sexuais. Passou da hora, segundo esses rapazes, de salvarmos a família brasileira das garras da promiscuidade generalizada. O moralismo em estado bruto.
O medonho portfólio de Renan Santos e sua turma é vasto. O que vai nas linhas acima é só uma mostra. O que eles querem, na prática, é impor sua própria distopia. Se conseguirem, o Brasil entrará numa vertigem de consequências imprevisíveis, mas certamente devastadoras. E eles podem vencer, sim. Os sinais do colapso da política estão pelo mundo afora. O movimento não tem volta, indica a avalanche dos fatos.
É pesado, eu sei, mas o perigo é real e iminente. Renan Santos vai chegar lá.
