O instituto de pesquisa de maior credibilidade no país confirma o empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro. É o retrato do momento a nove dias da votação. Em novo levantamento divulgado na noite desta quinta-feira 24, o Datafolha mostra que, no primeiro turno, o presidente tem 40% das intenções de voto contra 36% do senador do PL. Os demais postulantes ficam bem longe dos líderes. É o panorama que se repete há meses, sempre com Lula numericamente na dianteira. A disputa segue cabeça a cabeça.
Nas projeções de segundo turno, Lula alcança 47% das citações, enquanto Flávio aparece com 45%. Nas últimas semanas, a tropa do Zero Um e seus porta-vozes na imprensa tentaram emplacar a versão de que o noticiário sobre o STF prejudicaria o candidato à reeleição. As pesquisas, no entanto, derretem essa fantasia bolsonarista.
Augusto Cury, o vendedor de autoajuda, chegou a embalar o delírio de uma “terceira via”, ao ensaiar um crescimento nas preferências do eleitor. Em alguns institutos, o escritor de abobrinhas avançou à casa dos 10%. Mas, ao que parece, não passou de fumaça uma propalada reviravolta. Hoje, Cury registra 5% das citações.
Além de Augusto Cury, os demais aspirantes no campo da extrema direita também não saem do lugar desde o começo da campanha. Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Renan Santos estão congelados nos percentuais de candidatos nanicos. A “culpa” não é do eleitorado, mas dos concorrentes que não têm o que dizer ao país.
A essa altura, o suspense perturbador é este: haverá alguma bomba devastadora nos últimos dias da campanha capaz de mudar drasticamente as intenções dos eleitores? Diante de tudo o que já ocorreu, não parece lógico que tenhamos uma guinada. Lulistas e flavianos indicam que seguirão com suas escolhas até o fim.
O noticiário se divide entre os fatos da campanha propriamente dita e o escândalo do banco Master em todas as suas dimensões. O volume de informações é tamanho que o brasileiro certamente tem dificuldade para entender com precisão tudo o que se passa. O terremoto político, pode-se especular, não mexeu com a maioria.
Reza a lenda que a população dá atenção às urnas na reta final da campanha. É precisamente neste ponto que estamos agora, faltando menos de duas semanas para o dia do voto. Tão importante quanto vender o peixe em forma de promessas é evitar um tropeço, um tiro no pé, um erro fatal. Porque o detalhe pode decidir a parada.
