O que o político mais procura, a cada hora e em cada esquina, são câmeras e microfones para se amostrar. Pois não é que isso muda justamente numa campanha eleitoral?! À primeira vista, é um tremendo paradoxo que um candidato em busca de voto se recuse a participar de entrevistas e debates. Nesta terça-feira 1 de setembro, o candidato a governador JHC engrossou essa estranha tradição. Por quê?

Porque na campanha, ao falar com a imprensa tradicional, os aspirantes a mandato eletivo correm o “perigo” de ser confrontados com temas incômodos. Talvez por isso, pode-se especular, JHC tenha faltado à entrevista marcada pela TV Gazeta. A emissora começaria hoje a série de sabatinas com candidatos ao governo do Estado.

JHC seria o primeiro a ser recebido no estúdio do Bom Dia Alagoas para uma entrevista com duração de 30 minutos. A série vai até a próxima sexta-feira, dia 4. Segundo a TV, a assessoria do candidato cancelou a presença na noite anterior, sem explicação sobre os motivos da desistência. Que peso isso tem de fato na eleição?

Os adversários tratam logo de carimbar como “fujão” aquele que se recusa a debates e sabatinas. Na eleição nacional, os líderes da corrida já foram alvos de críticas após ausência no debate da Band. Nesse caso, além de Lula e Flávio Bolsonaro, até Romeu Zema escapuliu do evento. Vale lembrar que cada situação tem suas particularidades.

De volta a Alagoas, sabe-se que João Henrique Caldas anda mais entocado do que exposto. Sua preferência é o monólogo – embora não seja o único nessa linha. É o tipo que investe tudo na comunicação virtual, no mundo mágico das redes sociais, na encenação de uma realidade própria, onde o dissenso e o contraditório inexistem.

Nas campanhas eleitorais das antigas, a regra não escrita era esta: candidato que lidera as pesquisas não vai a debate. Com a explosão da Era Digital, a parada entra para sempre em outra dimensão. Cada um é seu próprio meio de comunicação, gostam de dizer os fanáticos pelas novas tecnologias. Nessa toada, a imprensa perde relevância.

Ou seria precisamente o contrário? Se todo mundo vira “comunicador”, parece que é exatamente agora que o jornalismo profissional merece destaque e atenção. JHC e tantos outros preferem a conversa amigável, o convescote com simpatizantes. Não é desse modo, no entanto, que o eleitor descobrirá o que precisa ser descoberto. Por aí.