Os candidatos Arthur Lira e João Henrique Caldas foram à Justiça Eleitoral solicitar o envio de tropas federais para o dia da eleição. Faz sentido? Definitivamente não. A iniciativa do ex-prefeito de Maceió e do deputado federal, com todo o respeito, não passa de jogada eleitoreira. É lamentável que figuras públicas tratem com tamanha ligeireza algo dessa gravidade. Não há fato concreto que autorize a iniciativa de Lira e JHC.

A presença de homens do Exército na segurança das eleições se tornou algo recorrente por aqui ao longo dos anos 1990 e começo da década de 2000. Eram tempos conturbados. A violência política e o descontrole das forças policiais justificavam a medida. Pistolagem, chacinas e gangue fardada faziam parte da paisagem. 

Em alguns anos, o TSE aprovava o Exército para todo o estado. Em outros, para municípios com fama de violentos, tomados por disputas entre grupos e famílias rivais. Minador do Negrão, Rio Largo, Flexeiras, Pindoba, Novo Lino e outras regiões entravam na lista. Arapiraca e Palmeira dos Índios também foram motivo de preocupação.

Eram os tempos dos governos Suruagy, Manoel Gomes de Barros, Ronaldo Lessa e Téo Vilela. Uma quadra na qual Alagoas chegou ao topo dos lugares mais violentos do país e até do mundo. Se em períodos normais a parada já era turbulenta, no calendário eleitoral o clima esquentava ainda mais. Havia razões de sobra para a presença federal.

Não precisa ser simpático ao governo ou oposição ferrenha para se constatar o óbvio: nada nos dias de hoje lembra a bagaceira daqueles períodos sombrios. Violência existe em Alagoas como em todas as regiões do país. JHC e Arthur Lira não apresentaram nada ao TRE que justifique a descabida intenção de botar o Exército nas eleições.

Suspeito que a dupla farejou o apelo eleitoral de tal iniciativa. Quanto mais confusão pra cima do governo, melhor para eles. Mas isso é especulação de minha parte, reconheço, embora baseado na lógica fria da realidade. O ponto é: não há dados, números, ocorrências que sustentem a solicitação feita pela dupla. O foco, insisto, é exclusivamente eleitoreiro. Se colar, os interessados esperam algum dividendo. 

Cabe à presidência do TRE alagoano levar ou não adiante o delírio apresentado pelos dois políticos em busca de voto. A última palavra caberia ao Tribunal Superior Eleitoral. Que coisa! Espero que o tribunal estadual aja com sobriedade e cautela diante da jogada politiqueira. Eleição é coisa séria. Ou pelo menos deveria ser.