O panorama de candidaturas à Assembleia Legislativa e à Câmara Federal é de terra arrasada. Basta ver algumas peças de propaganda no horário eleitoral para se chegar à conclusão de que estamos perdidos. As boas opções existem, mas fazem parte de uma minoria evidente. Torço para que os poucos que se salvam nesse mar de mediocridade consigam o mandato. A realidade, porém, é amplamente desanimadora.

Os que pintam como favoritos, na maioria, se eleitos, vão engrossar um colegiado já tomado pela tremenda ruindade, tanto no estado quanto em Brasília. Os discursos na campanha entregam a ausência completa de propostas dignas dessa classificação. Tem de tudo, menos algum vestígio de qualidade na multidão de aspirantes. 

Em linha com a bagaceira que tomou conta do país nos últimos anos, uma imensa quantidade de candidatos quer seu voto para “mudar tudo isso que está aí”. Isso significa defender ações que mais parecem destinadas a destruir quem pensa diferente e proteger corruptos de estimação. Nada para construir, tudo para ser detonado. Um vazio geral

Existem os endinheirados da iniciativa privada com a balela da “meritocracia” e do “empreendedorismo”. São ricaços na busca por ampliar seus patrimônios com a ajuda decisiva da delinquência política. Falam em renovação instalados no que há de mais atrasado no campo das ideias. Um reacionarismo abrutalhado a toda prova.

Nesse cenário melancólico, os tipos “folclóricos” são o de menos. Sempre estiveram na praça e vão continuar surgindo nas eleições futuras, garantindo a porção de comédia que marca uma parte da atividade política. A princípio são inofensivos, a não ser aqueles que fingem maluquice, mas estão a serviço de poderosos. Preste atenção nas armadilhas.

Porcaria mesmo são os valentões, os que discursam com aquela verborragia típica de milicianos. É o bloco do prendo, arrebento e cancelo CPF. São as eternas viúvas da ditadura militar, os adeptos da tortura, os que vão às grotas na madrugada para eliminar pobres e pretos. Gostam de ser chamados de xerifes, mas estão mais para jagunços.

Reitero que há opões respeitáveis, honrosas exceções que me parecem dignas de nossa atenção. Não vou citá-las, é claro, porque isso seria propaganda indevida. Espero que ao menos uma parte consiga se eleger para servir de contrapeso à maioria cretina e desqualificada. O Poder Legislativo, afinal, é a essência da democracia.