O Tribunal Regional Eleitoral agiu com a devida seriedade ao decidir pelo envio de tropas federais para três municípios nas eleições alagoanas. Podem receber o reforço do Exército as cidades de Rio Largo, Junqueiro e Teotônio Vilela. A decisão final será do Tribunal Superior Eleitoral. A coligação dos candidatos João Henrique Caldas e Arthur Lira havia formalizado o pedido para que a medida valesse para todo o estado.

Ainda bem que o TRE descartou a chicana patrocinada por JHC e Lira, a dupla que disputa o governo e o Senado. Em texto anterior, chamei de eleitoreira a iniciativa, que nada apresentou para justificar o envio das Forças Armadas aos 102 municípios. A jogada politiqueira trata de forma irresponsável o tema de extrema gravidade.

Importante também ressaltar outro ponto. Pelo que foi divulgado pelo tribunal, a decisão de solicitar reforço na segurança dos três municípios não se baseou nas alegações fantasiosas dos políticos. O que pesou foram, sobretudo, informações dos juízes eleitorais dessas localidades, assim como do Ministério Público Eleitoral.

A coligação partidária levou ao TRE um amontoado de ilações para tentar emplacar sua marmota. A base das “alegações” se refere a recentes promoções na Polícia Militar. Segundo os autores da peça “jurídica”, esses militares promovidos poderiam agir de modo a prejudicar os candidatos da oposição e beneficiar os aliados do governo.

É uma brincadeira. A tentativa de emplacar essa aberração chega a ser um insulto à Justiça Eleitoral. Pode-se dizer que os juízes do tribunal foram submetidos a uma pegadinha. Para nossa sorte, os magistrados – a começar pelo presidente da corte, Alcides Gusmão da Silva – decidiram em nome da lei. Fecharam a porta à politicagem.

Como escrevi no texto anterior, Alagoas está longe da situação que viveu nos anos 1990 e começo dos 2000. Lá atrás, sim, o estado vivia um quadro de baderna nas forças policiais, sob governos que fracassaram na segurança pública. Os números da violência atingiram níveis inaceitáveis, o que tornava o período eleitoral uma bomba-relógio.

O Brasil assiste a uma crise que toma conta do Supremo Tribunal Federal, com efeitos que já atingem o TSE. O cenário exige dos tribunais estaduais um rigor máximo na condução das eleições. É notório que candidatos à caça de votos “fazem o diabo” para conseguir seus objetivos. A Justiça não pode ser leniente com armações e trapaças.

Exemplar, a decisão do TRE sobre a segurança das eleições merece aplausos.