O primeiro turno da eleição em Alagoas teve dois debates entre os candidatos a governador Renan Filho e João Henrique Caldas, o JHC. E, com todo o respeito aos profissionais envolvidos das duas emissoras, os dois encontros foram muito fracos. O problema é o modelo – rigorosamente o mesmo – adotado pelas concorrentes para esse tipo de evento. A fórmula engessada é de causar sonolência até entre os debatedores.
O principal fator que sacramentou a ruindade dos dois confrontos foram as regras escolhidas – mais especificamente a cronometragem de perguntas e respostas. É uma fórmula ultrapassada há anos, abandonada pelas redes nacionais de TV nas últimas eleições. Basta conferir os debates na Globo e na Band. Por aqui, ficamos no passado.
Não bastasse o erro de origem, o preciosismo na condução do programa impede que o candidato conclua uma pergunta ou o raciocínio no fim de uma resposta. Até parece que “extrapolar” dois ou três segundos numa fala seja um crime hediondo capaz de mudar os rumos da eleição. Uma tolice típica de escravos de um regramento burro.
Ainda sobre esse item, os mediadores podem informar aos postulantes que haverá “tolerância” – sem abuso – para que eles concluam o que estão dizendo. Assim, evita-se aquela coisa irritante de ver o tempo todo o microfone ser fechado até na palavra final de uma formulação. É ridículo e, de novo, nada inteligente. Perde o eleitor.
Obrigar o candidato a fazer uma pergunta em 30 ou 45 segundos é um erro. Decretar que ele tem dois minutos para responder também. O mais adequado, como já adotado pela Globo, Band e outros veículos e emissoras pelo Brasil, é deixar que o candidato administre um tempo maior, igual para todos. Isso muda tudo na dinâmica do encontro.
Num exemplo, debatedores têm 5 minutos (ou mais) pra pergunta e resposta, que eles usam como quiserem. Você já viu esse formato nas eleições passadas. Foi assim neste primeiro turno em SP, MG, PE, RJ, CE, DF e outros estados. Pude conferir isso, é claro, pelo velho YouTube. Funcionou até em debates com quatro ou cinco participantes.
É um formato ainda mais adequado, e mais simples de operar, quando há apenas dois candidatos – exatamente como os debates alagoanos. Curiosidade: por que afiliadas da Globo país afora já estão nesse modo avançado, mas a Asa Branca reproduziu a maneira medieval? Seria por medo da novidade? Preguiça mental? Não faz sentido.
Embora o segundo turno pareça uma hipótese mais provável, não se pode adivinhar o que sairá das urnas. Caso haja uma segunda rodada para decidir o novo governador, que TV Gazeta e TV Asa Branca deixem de lado a pré-história e virem as antenas ao presente.
Acabem com essas regras de paquiderme e garantam um debate pra valer. O confronto fica mais direto e dinâmico. Melhor para candidatos e eleitores. Fica a dica!
