A corrida pelo governo de Alagoas chega ao dia da votação com os dois principais candidatos num empate técnico, com diferença de um ponto percentual entre eles. Renan Filho, candidato do MDB e apoiado pelo presidente Lula, marca 50% dos votos válidos. João Henrique Caldas, o JHC, tem 49%. Filiado de última hora ao PSDB, ele está na coligação que apoia Flávio Bolsonaro, embora tenha escondido essa parceria ao longo de toda a campanha. Os dados são da pesquisa Quaest divulgada neste sábado.
Mesmo com os rivais embolados numa corrida cabeça a cabeça, a eleição tem tudo para ser liquidada neste domingo 4 de outubro. Escrevi em texto anterior sobre as razões dessa aparente contradição. Podemos conhecer o próximo governador do estado ao fim deste primeiro turno. Para isso, o aspirante precisa de 50% das escolhas mais um voto.
Pela Quaest, portanto, diria mesmo que esse desfecho parece até provável. Numericamente, as posições dos dois candidatos se inverteram em relação ao levantamento anterior, divulgado em 25 de setembro, uma semana atrás. Nos votos totais, JHC aparecia com 43% das citações contra 41% de Renan Filho.
Durante a campanha, o candidato do MDB apostou no discurso que exaltava seu legado nos dois mandatos anteriores como governador. Ressaltou a construção de hospitais, a duplicação de rodovias, a abertura de creches e programas para a educação. Destacou ainda sua gestão como ministro dos Transportes na gestão Lula da Silva.
JHC jogou todas as fichas na defesa de sua administração na prefeitura de Maceió. Ele renunciou ao cargo com forte aprovação popular. A construção de escolas na periferia, os chamados Gigantinhos, serviram de vitrine. A obra do Salgadinho e ações na área do turismo foram outros itens destacados pelo ex-prefeito na caça ao voto.
Os dois candidatos tiveram, cada qual, uma máquina particular para dar uma força na disputa. Renan Filho contou com o governador Paulo Dantas como importante cabo eleitoral. Do outro lado, JHC valeu-se do prefeito da capital, Rodrigo Cunha, que era seu vice até abril deste ano. Não há como aferir o tamanho da influência de tal situação.
Para que não reste dúvida, não dá para apontar um favorito neste domingão. Os números da Quaest, como se constata, desautorizam isso. Mas, com o auxílio de sondagens internas, o clima é um pouco diferente nas duas campanhas. Há mais confiança e otimismo em um dos lados. Nada que justifique carnaval antecipado.
De todo modo, reitero, o vento sopra para o fim do jogo já no primeiro turno.
