Ao leitor: estamos diante da mais dura luta eleitoral já registrada.  Essa projeção reúne pesquisas e compara dois caminhos de cálculo. Não é uma previsão fechada. É um retrato da disputa, sujeito às escolhas do modelo e às mudanças do eleitorado.

 

A três dias do primeiro turno, o Polling Average Rui Guerra busca estimar o resultado de um eventual segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro.

 

Nesta rodada, os dois caminhos de cálculo apontam Lula numericamente à frente, com pouco mais de 50% dos votos válidos. A distância é pequena. O quadro continua de equilíbrio.

 

Como funciona o cálculo

 

Cada pesquisa recebe um peso. Quanto mais recente e maior a amostra, mais ela conta.

 

Usamos uma pesquisa por instituto. O critério é incluir apenas levantamentos feitos por entrevistador humano, com campo na última semana.

 

O peso combina a recência, com meia-vida de 14 dias, e a raiz quadrada do tamanho da amostra. Os resultados são convertidos em votos válidos, sem ajuste por instituto.

 

A projeção segue dois caminhos: a distribuição dos votos dos demais candidatos e a média das simulações diretas de segundo turno.

 

Os institutos desta rodada

 

Datafolha — Entrevistas presenciais, em pontos de fluxo nas ruas. O controle ocorre depois da coleta: todas as entrevistas são gravadas, e cerca de 20% do trabalho de cada pesquisador é conferido.

 

Campo: 28/09 a 01/10. Foram 2.506 entrevistas, com peso de 0,99.

 

Real Time Big Data — Não encontrei descrição pública da forma de coleta nem dos procedimentos de controle.

 

Campo: 26 a 30/09. Foram 2.000 entrevistas, com peso de 0,82.

 

BTG/Nexus — Entrevistas por telefone, feitas por entrevistadores de uma central. O controle fica com a supervisão da própria central. Não encontrei descrição pública dos detalhes.

 

Campo: 25 a 27/09. Foram 2.000 entrevistas, com peso de 0,74.

 

Quaest — Entrevistas presenciais, em domicílio, com tablet. O aparelho só libera o questionário quando o pesquisador está no local sorteado. As entrevistas são gravadas, e uma equipe anula as que fogem do padrão.

 

Campo: 24 a 27/09. Foram 2.004 entrevistas, com peso de 0,73.

 

Ficaram fora o PoderData, por usar ligação automatizada, sem entrevistador; Gerp e Indexa, por terem campo com mais de duas semanas; e AtlasIntel, pelo recrutamento digital.

 

O primeiro turno

 

Os percentuais informados por cada instituto, na ordem Lula, Flávio e demais candidatos, foram:

 

• Datafolha: 42% / 38% / 13%.

• Real Time Big Data: 43% / 39% / 12%.

• BTG/Nexus: 42% / 37% / 16%.

• Quaest: 39% / 34% / 12%.

 

Na média ponderada, convertida em votos válidos, Lula tem 45,2%; Flávio, 40,4%; e os demais candidatos, 14,4%.

 

Primeiro caminho: a distribuição dos votos dos demais

 

O modelo aplica a divisão histórica adotada: 63,5% dos votos dos demais candidatos vão para Flávio e 36,5% para Lula.

 

O resultado é Lula com 50,5% e Flávio com 49,5%.

 

Segundo caminho: o confronto direto

 

Nas simulações de segundo turno feitas pelos próprios institutos, os números são:

 

• Datafolha: Lula 48% e Flávio 45%.

• Real Time Big Data: Flávio 46% e Lula 45%.

• BTG/Nexus: Lula 46% e Flávio 44%.

• Quaest: empate em 42%.

 

A média ponderada, em votos válidos, resulta em Lula com 50,6% e Flávio com 49,4%.

 

O que mudou

 

Os dois caminhos chegam a resultados próximos, com diferença de apenas 0,1 ponto percentual. Ambos mostram Lula numericamente à frente por cerca de um ponto, num quadro de equilíbrio.

 

É uma virada em relação a 24/09, quando o modelo apontava Flávio com 51,3% e Lula com 48,7%.

 

Duas coisas mudaram: Lula subiu nos quatro institutos, e os votos dos demais candidatos encolheram de 19,3% para 14,4%, com a queda de Cury.

 

Como a divisão adotada favorece Flávio, menos votos disponíveis significam menos votos a herdar.

 

Parte da mudança também vem da troca de institutos. Dos 1,8 ponto que Lula ganhou, cerca de 1,1 vem das pesquisas novas e 0,7 da saída de Gerp, Indexa e PoderData.

 

Por isso, a leitura proposta é uma faixa: Lula entre 49,8% e 50,5%.

 

Para empatar, Flávio precisaria receber 66,8% dos votos dos demais candidatos. A taxa histórica usada no modelo é de 63,5%.

 

Quanto as escolhas alteram o resultado

 

• Com o PoderData: Lula 50,2% e Flávio 49,8%.

• Com PoderData, Gerp e Indexa: Flávio 50,2% e Lula 49,8%.

• Com os votos dos demais divididos meio a meio: Lula 52,4% e Flávio 47,6%.

 

O histórico das rodadas

 

• 29/08: Flávio 50,6% e Lula 49,4%.

• 03/09: Flávio 50,9% e Lula 49,1%.

• 09/09: Flávio 50,5% e Lula 49,5%.

• 16/09: Lula 50,7% e Flávio 49,3%.

• 24/09: Flávio 51,3% e Lula 48,7%.

• 01/10: Lula 50,5% e Flávio 49,5%.

 

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