O Tribunal de Justiça de Alagoas (TJAL) adiou para a próxima quarta-feira, 2 de setembro, o julgamento do recurso apresentado pela defesa dos quatro policiais militares condenados pela morte e pela ocultação do corpo do adolescente Davi da Silva. A análise estava prevista para esta quarta-feira (26).
O motivo do adiamento não foi informado. A defesa tenta anular ou modificar o veredito do Tribunal do Júri, que aplicou aos réus penas que, somadas, ultrapassam 100 anos de prisão em maio deste ano.
O Ministério Público de Alagoas (MPAL), por sua vez, defende a rejeição do recurso e a manutenção integral das condenações. Para o órgão, deve prevalecer a decisão tomada pelos jurados após a análise das provas técnicas e dos depoimentos reunidos no processo.
Davi desapareceu aos 17 anos, em 25 de agosto de 2014, depois de ser abordado por uma guarnição da Rádio Patrulha no Conjunto Cidade Sorriso I, no Benedito Bentes, em Maceió. O corpo nunca foi encontrado.
Durante o julgamento realizado em maio, a acusação apresentou dados de telefonia, o reconhecimento dos integrantes da guarnição por uma testemunha e relatos de moradores que teriam visto o adolescente ser colocado em uma viatura.
Os registros telefônicos indicaram que o aparelho utilizado por um dos acusados estava na região de acesso ao Benedito Bentes às 8h01, horário anterior ao informado pelos policiais em seus depoimentos.
Um adolescente que acompanhava Davi no momento da abordagem também reconheceu os quatro integrantes da guarnição ao analisar fotografias funcionais do batalhão. Testemunhas relataram ainda que a viatura utilizada pelos agentes possuía a imagem de um pit bull.
No novo julgamento, o TJAL decidirá se mantém o resultado do júri ou se acolhe os pedidos apresentados pela defesa.
