O Tribunal do Júri de Arapiraca condenou, nesta terça-feira (25), Regivaldo da Silva Santana a 87 anos, 4 meses e 14 dias de prisão pela morte de quatro pessoas durante a chacina ocorrida em abril de 2024, no Sítio Laranjal, zona rural do município.
Regivaldo foi considerado culpado por quatro homicídios qualificados, quatro crimes de ocultação de cadáver e posse ilegal de acessório de uso restrito. Ele também foi condenado a 1 ano de detenção e ao pagamento de 366 dias-multa por crime contra a fauna.
A sentença foi proferida pelo juiz Alberto de Almeida, da 5ª Vara Criminal de Arapiraca, e determina a execução imediata da pena em regime fechado. O magistrado destacou a gravidade dos crimes e a periculosidade do réu como fundamentos para a manutenção da prisão.
Além da condenação criminal, foi determinada uma indenização mínima de R$ 15 mil para os familiares de cada vítima, totalizando R$ 60 mil.
Outros dois réus são condenados
Também foram julgados Wesley Santana Sá e Adriano Santos Lima, apontados como responsáveis pela ocultação dos corpos. Cada um recebeu pena de 1 ano, 6 meses e 22 dias de reclusão, em regime inicial aberto, além do pagamento de 288 dias-multa.
Segundo as investigações, os dois participaram da retirada e ocultação dos cadáveres, mas não foram apontados como autores dos assassinatos. Conforme apurado pela Polícia Civil, eles teriam sido coagidos por Regivaldo a ajudar na tentativa de esconder os crimes.
Como aconteceu a chacina
O crime ocorreu em 13 de abril de 2024. Naquele dia, Letícia da Silva Santos, de 20 anos, e Joselene de Souza Santos, de 17, estiveram na propriedade de Regivaldo, onde costumavam prestar serviços e receber ajuda.
Durante o dia, Regivaldo levou as duas ao centro de Arapiraca para sacar dinheiro e comprar uma pizza. No retorno ao sítio, eles encontraram Lucas da Silva Santos, de 15 anos, irmão de Letícia, e Erick Juan de Lima Silva, de 20, namorado dela.
Uma discussão teria começado entre Lucas e Regivaldo, motivada por ciúmes. De acordo com a investigação, o acusado pegou uma arma e atirou contra a cabeça do adolescente.
Na sequência, ele teria ordenado que as outras três vítimas se ajoelhassem e efetuado disparos contra elas. A investigação apontou que os demais assassinatos ocorreram para eliminar possíveis testemunhas do primeiro homicídio.
Depois das execuções, Regivaldo teria ameaçado dois funcionários, que também eram seus sobrinhos, e determinado que eles ajudassem a esconder os corpos.
Os quatro cadáveres foram colocados em uma cacimba de aproximadamente oito metros de profundidade. O local teria sido coberto com gesso e posteriormente escondido sob uma grande escultura produzida pelo próprio acusado.

Corpos foram encontrados cinco dias depois
O desaparecimento das vítimas chamou a atenção dos familiares quando Letícia não retornou para buscar a filha de dois anos, que havia ficado sob os cuidados da avó.
A Polícia Civil iniciou as buscas e, no dia 19 de abril de 2024, encontrou os quatro corpos na propriedade rural. Eles estavam em avançado estado de decomposição e foram retirados pelo Corpo de Bombeiros e encaminhados ao Instituto Médico Legal (IML).
Regivaldo foi preso em flagrante no local. Durante a operação, os policiais apreenderam cerca de dez armas de fogo, munições, um acessório de uso restrito sem autorização e animais silvestres mantidos ilegalmente, entre eles uma cobra-píton sem documentação.
Inicialmente, o acusado tentou sustentar versões de legítima defesa, disparo acidental e supostos furtos praticados pelas vítimas. As alegações, contudo, foram afastadas no decorrer da investigação.
A prisão em flagrante foi convertida em preventiva no dia 20 de abril. Os dois suspeitos de auxiliar na ocultação dos cadáveres também foram presos em Sergipe.
Ao finalizar o inquérito, a Delegacia de Homicídios de Arapiraca concluiu que Regivaldo foi o único responsável material pelas quatro execuções, enquanto Wesley e Adriano teriam participado apenas da ocultação dos corpos.
Posteriormente, os dois auxiliares conseguiram liberdade provisória e passaram a responder ao processo em liberdade, submetidos a medidas cautelares. A decisão considerou, entre outros fatores, que eles tinham residência fixa e teriam agido sob coação.
