O Dia dos Pais, celebrado neste domingo (9) em todo o Brasil, é uma data marcada por histórias de carinho, inspiração e ensinamentos que atravessam gerações. Para muitos filhos, os pais são as primeiras referências de vida, seja pelos valores transmitidos, pelas escolhas profissionais ou pelas paixões compartilhadas ao longo da caminhada.

Na família de Sérgio Cavalcante, 43 anos, esse legado aparece de diferentes formas. O filho João Pedro de Moura Cavalcante, de 7 anos, já dá os primeiros passos na categoria de base do Vasco da Gama e busca realizar o sonho de ser jogador de futebol, uma paixão que nasceu a partir da convivência com o pai. Já Arthur Sérgio de Moura Cavalcante, de 16 anos, encontrou na trajetória profissional de Sérgio uma inspiração para seguir um caminho semelhante.

Coordenador de Tecnologia da Informação (TI), Sérgio viu o interesse de Arthur pela área crescer após uma palestra que ministrou na escola onde o filho estuda, dentro de uma atividade sobre profissões. Ao apresentar aos alunos um pouco sobre o universo da Tecnologia da Informação, despertou no adolescente a curiosidade pela área e a vontade de conhecer melhor a profissão do pai.

“Quando fiz uma palestra na escola que meu filho maior estuda sobre profissões e falei sobre TI, foi assim que surgiu nele o interesse. Tento estimular ele a conhecer todas as vertentes da área de TI para ver qual desperta maior interesse. Com certeza também serei o maior incentivador daquilo que ele queira seguir como profissão”, conta Sérgio.

Com os filhos seguindo caminhos diferentes, Sérgio acompanha cada escolha com o mesmo papel: ser presença, incentivo e referência durante a formação deles. No caso de João, essa relação ganhou um capítulo especial através do futebol e da paixão pelo Vasco da Gama, clube que o pai acompanha desde a infância.

Ainda pequeno, João passou a conviver com a rotina de torcedor de Sérgio e transformou essa influência em um objetivo próprio. Aos 7 anos, o menino já faz parte da categoria de base do Vasco da Gama e sonha em seguir carreira nos gramados.

O elo entre pai e filho nasceu da arquibancada e da convivência dentro de casa. Sérgio conta que João sempre acompanhou os momentos em que ele torcia pelo clube carioca e que a paixão pelo Vasco surgiu naturalmente.

“Desde pequeno que torço para o Vasco, João sempre me viu vendo os jogos e torcendo para o Vasco. Moramos aqui na Serraria e João com apenas 4 anos já fazia escolinha de futebol, sendo que no Flamengo. Quando ele soube que tinha escolinha de futebol do Vasco, ele disse que queria ir jogar lá, foi aí que eu vi, que ele também já amava o time do papai”, conta Sérgio.

O pai relembra que a paixão do filho pelo clube ficou ainda mais evidente em uma viagem ao Rio de Janeiro, quando os dois visitaram São Januário.

“Em 2024, fomos a uma viagem ao Rio e visitamos São Januário, quando ele soube que não poderia ir para o jogo começou a chorar porque queria ver o time de coração, desde muito cedo ele sempre foi muito determinado e apaixonado pelo Vasco, eu como bom vascaíno, vendo isso, sempre incentivei”, afirma.

A relação de João com o futebol também resgata uma lembrança da juventude do próprio Sérgio. Assim como muitos meninos, ele também teve o sonho de ser jogador, mas acabou seguindo outro caminho profissional.

“O sonho de quase todo menino é ser jogador de futebol, eu também tinha esse sonho, mas quando fui crescendo e vendo que não tinha tanta habilidade segui pra outra profissão”, relembra.

Sérgio Cavalcante e João Pedro Cavalcante no Estádio de São Januário, Rio de Janeiro — Foto: arquivo pessoal

Mesmo sem ter planejado que o filho seguisse esse caminho, Sérgio passou a enxergar no menino uma dedicação especial. Segundo ele, os profissionais das escolinhas por onde João passou sempre destacaram características diferentes no garoto.

“Eu nunca tive o sonho do João ser jogador de futebol, mas por todas escolinhas de futebol que ele passou os professores sempre disseram que ele tinha algo diferente, eu sempre o apoiei e irei apoiar meus filhos, com o João não seria diferente, estou sempre presente em todos os treinos e sempre incentivando ele, conversando quando necessário e elogiando sempre que possível”, explica.

Para o pai, o futebol precisa continuar sendo uma experiência positiva para João. Por isso, Sérgio busca equilibrar o papel de torcedor com o de responsável pela formação do filho.

“Mas tem que ser divertido para ele, se não tiver divertido acredito que não tem sentido”, completa.

Sérgio também destaca que procura separar incentivo de cobrança, para que a busca pelo sonho não se transforme em pressão.

“No papel de pai e torcedor, eu tento sempre equilibrar bastante para conversar quando vejo algo que poderia melhorar e parabenizar quando as coisas estão indo bem, mas tenho sempre cuidado para que não vire uma cobrança e nem seja pesado. Muitas vezes fico refletindo com relação a essas cobranças para que ele não se sinta cobrado e perca o interesse pelo esporte, como disse, isso tem que ser divertido pra ele”, comenta.

Além do futebol, o pai também acompanha outro desafio importante na formação de João: o equilíbrio entre esporte e estudo.

“Esse é um grande dilema, já escutamos muito as pessoas dizerem que quando eles fizerem 15 anos teremos que optar ou por um ou por outro, como ele ainda tem 7 anos, condicionamos os treinos aos estudos, não existe futebol sem a parte do estudo”, destaca.

Segundo Sérgio, a rotina do filho é organizada para que as duas atividades caminhem juntas.

“Ele tem aula pela manhã e conseguimos adaptar a rotina dele 3 dias de aula particular para ajudar nas tarefas. Então ele lida bem com essa parte, além de ser muito inteligente, ele pega rápido os assuntos. Como a maioria dos meninos que amam futebol é óbvio que eles preferem jogar bola do que estudar, mas aqui condicionamos primeiro fazer as obrigações e depois jogar bola”, explica.

Para Sérgio, o esporte também contribui para a formação de valores que serão levados para a vida.

“Eu espero que ele aprenda a sempre trabalhar em equipe ajudando sempre no coletivo, peço que ele aprenda com as derrotas e seja exemplo para seus amigos, sempre trabalhando com humildade e perseverança para colher num futuro tudo aquilo que ele almeja”, afirma.

João Pedro durante jogo na Escolinha do Vasco — Foto: arquivo pessoal

Um dos momentos mais marcantes da trajetória de João e Sérgio aconteceu quando o menino participou de uma peneira do Vasco no Rio de Janeiro.

“Em março de 2026, ele foi chamado para uma peneira no Vasco do Rio de Janeiro, passamos 3 dias maravilhosos lá, o resultado da aprovação pra ele jogar lá no Rio não veio, mas esse momento foi especial demais. Conseguimos ir num jogo do Vasco lá em São Januário e levei ele”, lembra.

A viagem ainda proporcionou uma experiência que ficou guardada na memória dos dois.

“Conseguimos que ele entrasse com os jogadores, e naquele jogo o Vascão ganhou e pudemos comemorar juntos essa vitória dentro de São Januário, foi uma coisa mágica, isso sem falar no prazer dele como Vascaíno de dizer que já pôde jogar em São Januário, isso não tem dinheiro no mundo que pague”, conta.

Para o Dia dos Pais, Sérgio deixa uma mensagem aos pais que acompanham os sonhos dos filhos.

“Eu diria que nunca desistam de apoiar o filho de vocês, sempre com leveza e sem cobranças para que isso não vire um pesadelo ao invés de sonho, muitos meninos desistem do sonho por falta de apoio em casa ou pela cobrança excessiva de dentro de casa”, afirma.

“Estejam sempre ao lado dos pequenos e apoiem sempre que precisar. Quando eles errarem não os critiquem pois isso pode interferir demais, mas os apoiem e digam que na próxima eles irão conseguir”, conclui.

 

*Estagiário sob supervisão da editoria