O irmão da professora Cenira Angélica Ventura da Silva afirmou, durante o julgamento de José Ricardo dos Santos nesta quarta-feira (29), que o assassinato teria sido planejado pelo réu. Alexandre Henrique Ventura foi a primeira testemunha ouvida no júri realizado no Fórum Desembargador Oscar Tenório, em Viçosa. O acusado nega ter cometido o crime.
Ao responder às perguntas do promotor de Justiça Gustavo Arns, Alexandre relatou como teriam sido os últimos momentos da irmã antes do assassinato.
“No dia, minha irmã tinha saído um pouco mais cedo da escola, ficou em uma praça com umas amigas. Ele apareceu e foram juntos para casa. Os vizinhos ouviram gritos, a discussão. Ele premeditou tudo”, afirmou.
Alexandre também falou sobre a personalidade da irmã e disse que ela era querida pelas pessoas com quem convivia. “Ela era uma pessoa de quem todos que conviviam tinham facilidade de gostar. Sempre estava disposta a ajudar as pessoas”, declarou.
O irmão contou que soube do relacionamento posteriormente, por meio da mãe, que desaprovava a relação. Segundo ele, a família considerava José Ricardo possessivo.
“Minha mãe disse que ele era estranho e tinha um comportamento possessivo. Inclusive, soube que a ex-companheira morria de medo dele”, relatou.
Ao chegar ao local do crime, Alexandre afirmou ter ouvido de moradores que José Ricardo seria o responsável e teria deixado a região em alta velocidade em uma motocicleta.
Questionado sobre o momento em que viu a irmã, respondeu: “Vi, mas meu cérebro bloqueou. Acho que pelo choque”.
Réu nega autoria
José Ricardo participou do julgamento por videoconferência e negou ter matado a professora. Ele alegou que estava com Angélica quando ela recebeu uma ligação e disse ao interlocutor: “Não venha hoje, porque ele está aqui”.
Conforme a versão apresentada pelo acusado, ele perguntou quem estava ao telefone, mas Angélica respondeu que o assunto não era da conta dele. José Ricardo disse que ficou irritado e deixou a residência.
Durante o interrogatório, o réu apresentou respostas divergentes ao ser questionado sobre o momento em que teria saído do imóvel. Inicialmente, afirmou que a professora estava no banho quando foi embora, mas depois demonstrou dúvida ao responder novamente sobre o assunto.
Ele também declarou que deixou a cidade após ser avisado por um primo de que estava sendo apontado como autor do assassinato.
Acusação
José Ricardo responde por homicídio qualificado por motivo fútil, emprego de recurso que teria impedido a defesa da vítima e feminicídio no contexto de violência doméstica e familiar.
Segundo a denúncia do Ministério Público de Alagoas (MPAL), Angélica começou a ser atacada dentro da residência e tentou fugir, mas foi alcançada na rua. A professora foi morta com 37 golpes de faca em 2 de março de 2018.
Após o crime, José Ricardo permaneceu foragido por mais de cinco anos. Ele foi localizado e preso em dezembro de 2023, em Mato Grosso, e permanece sob custódia.
O julgamento segue nesta quarta-feira. Ao final dos depoimentos e dos debates entre acusação e defesa, os jurados decidirão se o réu será condenado ou absolvido.
