Senta no banco dos réus nesta quarta-feira (29) José Ricardo dos Santos, acusado pelo feminicídio da professora Cenira Angélica Ventura da Silva, de 39 anos.
O julgamento ocorre no Fórum Desembargador Oscar Tenório, no Centro de Viçosa, a partir das 8h.
A acusação será sustentada pelo promotor de Justiça Gustavo Arns, do Ministério Público de Alagoas (MP/AL).
A tese ministerial aponta homicídio qualificado por motivo fútil, emprego de recurso que impossibilitou a defesa da vítima e feminicídio, praticado contra a mulher por razões da condição do sexo feminino, no contexto de violência doméstica e familiar.
Conforme a denúncia, a professora começou a ser agredida no interior de sua residência. Tentando salvar a própria vida, ela correu para a rua, mas foi alcançada pelo então companheiro e morta em via pública com 37 golpes de faca.
Após o crime em 2018, José Ricardo permaneceu foragido por mais de cinco anos. Ele foi localizado e preso em dezembro de 2023 no estado do Mato Grosso, onde segue em privação de liberdade.
Em razão da distância e da custódia no Centro-Oeste, o réu participará do julgamento no Fórum de Viçosa de forma virtual, por meio de videoconferência.
Repercussão e cobrança por justiça
O assassinato da educadora causou intensa comoção em 2018 e desencadeou manifestações de entidades da categoria no estado e no país.
À época, o Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Alagoas (Sinteal) promoveu atos e cobrou publicamente a celeridade das forças de segurança para a prisão do autor, denunciando o impacto da violência machista na rotina das trabalhadoras da educação.
Em tom de repúdio, a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) também emitiu nota oficial lamentando a perda da professora, cobrando punição rigorosa e destacando a urgência de políticas públicas de combate ao feminicídio.
