A Justiça de Alagoas aceitou a denúncia do Ministério Público Estadual (MP-AL) e tornou réus os proprietários da Pousada Almaré e o eletricista responsável pela instalação elétrica do local pelas mortes de Luciana Klein, de 39 anos, e de seu filho, Arthur Klein Helfstein Alves, de 11. Mãe e filho morreram eletrocutados na piscina da pousada, em Maragogi, no Litoral Norte do estado.
A denúncia foi recebida pela Vara de Ofício Único de Maragogi. Os acusados são Thiago de Andrade Coly, Bruna Bernardes Azevedo e Eduardo Lins Bernardes Azevedo. O Ministério Público não detalhou qual dos denunciados é proprietário do estabelecimento e qual atuou na instalação elétrica.
De acordo com a decisão, Thiago de Andrade Coly responderá por homicídio culposo com causa de aumento de pena, enquanto Bruna Bernardes Azevedo e Eduardo Lins Bernardes Azevedo foram denunciados por homicídio culposo por omissão. Nessa modalidade de crime, não há intenção de matar.
O caso ocorreu no dia 4 de janeiro, quando a família, natural de São Paulo, passava férias em Alagoas e estava hospedada na pousada. Segundo o companheiro de Luciana, o chuveiro elétrico do quarto apresentava defeito durante a estadia. Ao perceber o desaparecimento da mulher e do enteado, ele foi até a piscina da cobertura e encontrou os dois submersos.
As vítimas foram retiradas da água com a ajuda de outros hóspedes, que iniciaram manobras de reanimação até a chegada do Corpo de Bombeiros. Luciana e Arthur ainda foram levados para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Maragogi, mas não resistiram.
Inicialmente, a suspeita era de afogamento. No entanto, o Instituto Médico Legal (IML) confirmou, dois dias depois, que mãe e filho morreram em decorrência de choque elétrico. Os exames identificaram marcas compatíveis com a passagem de corrente elétrica pelos corpos.
A investigação foi concluída em fevereiro, quando o Instituto de Criminalística apontou que o acidente foi provocado por um varal de luzes instalado nas proximidades da piscina. Conforme a perícia, a instalação apresentava irregularidades e descumpria diversas exigências previstas na norma ABNT NBR 5410:2004, que estabelece critérios de segurança para instalações elétricas de baixa tensão.
Segundo o perito responsável pelo caso, o entorno da piscina era considerado uma área de alto risco por permanecer frequentemente molhado, condição que aumentava significativamente o perigo de choques elétricos fatais em contato com a água ou estruturas metálicas.

O caso
A tragédia ocorreu na noite do dia 4 de janeiro. Informações repassadas à polícia indicam que o marido de Luciana teria procurado a administração da pousada para relatar um problema em um chuveiro elétrico do quarto. Enquanto isso, a mulher e o filho foram para a área da piscina.
Preocupado com a demora, o homem retornou ao local e encontrou os dois submersos. O Corpo de Bombeiros informou que as vítimas já estavam fora da água quando a equipe chegou, em parada cardiorrespiratória, enquanto pessoas tentavam manobras de reanimação. Apesar do socorro, mãe e filho não sobreviveram.
Naturais de São Paulo, eles estavam em viagem de lazer ao Litoral Norte de Alagoas.
Agora, com a conclusão da perícia técnica, a investigação segue sob responsabilidade da Polícia Civil, que deverá apurar eventuais responsabilidades pelo caso.
