Torci contra minha própria opinião, exposta em texto de 2 de junho neste blog, quando a Seleção Brasileira embarcou para a Copa do Mundo. No artigo, escrevi que nosso time decolava rumo ao fracasso. Infelizmente, foi o que aconteceu. Perdemos para a Noruega por dois a um – uma derrota que começou a se desenhar três anos atrás. A gestão caótica da CBF abusou no desperdício de tempo para uma preparação como deve ser.
O resultado do jogo tem explicações de duas categorias. Uma tem a ver com essa desorganização absurda na montagem de um time. O troca-troca de técnicos é a ilustração dessa postura deletéria. A outra categoria de explicações está nas circunstâncias que marcam a partida fatal. Carlo Ancelotti cometeu um erro inexplicável.
Após a vitória sobre o Japão, em outro texto escrevi que o treinador brasileiro não cometeria a loucura de botar Neymar no jogo – porque a gente precisava virar o placar, o que acabou acontecendo. Mas Ancelotti tomou a decisão insana de entrar com o ex-jogador, o craque imaginário, contra a Noruega. Foi o passo certeiro para o abismo.
O jogo estava zero a zero, com jeito de que seria duro até o fim. Ao optar por Neymar, o Brasil não produziu mais nada. Porque ficamos com um jogador a menos em campo. Parece inacreditável que um cara do tamanho do italiano, tido e havido como gênio da estratégia, viesse a produzir estranho desatino. Mas foi o que ele fez.
Sim, tivemos chances de marcar. Perdemos até um pênalti. Poderia ter sido outro o resultado, claro. No futebol tudo é possível. Mas hoje o imponderável não foi ao gramado. Enfrentamos uma seleção bem treinada, organizada, calma nos momentos decisivos, que não perdeu o controle do jogo em momento nenhum. Deu a lógica.
Volto a Neymar. Vejam o que aconteceu no fim do jogo. Depois de fazer o gol de pênalti – que não mudaria mais nada –, o ex-jogador entrou num bate-boca com o goleiro norueguês. O mimado não tem cura. O que ele pensava ao fazer aquele papelão, ao agir, mais uma vez, de modo patético? Queria um “protagonismo” àquela altura? Jesus!
Ancelotti teve contrato renovado até a próxima Copa. Terá tempo suficiente para levar à prática seus conhecimentos festejados como “fora de série”. No mais, futebol é assim, como está escrito em todas as lendas. Camisa pesa, mas nem sempre. O tal “sonho do hexa” foi adiado por quatro anos – e nem sabemos quem ainda estará por aqui em 2030.
