É um mistério sem resposta. Como informa reportagem na Folha, os institutos de pesquisa se aproveitam de brechas nas regras do TSE e ocultam os financiadores de levantamentos sobre as eleições no país. Nas informações prestadas à Justiça Eleitoral, as empresas dizem que bancam os custos com recursos próprios. É quase como jogar dinheiro pela janela. Ou atuam por diletantismo. Ou fazem isso por idealismo patriótico.

Não faz sentido nenhum. Os próprios advogados dos institutos admitem que o jogo é este mesmo: por “questões comerciais”, as empresas omitem a identidade dos contratantes e dizem ao TSE que queimam dinheiro do próprio cofre. Assim fica difícil não ter desconfiança sobre os resultados dessa farra pesquiseira no país.

E vejam que loucura: para fazer as pesquisas, boa parte dessas empresas gastou neste ano mais do que o faturamento e o lucro registrados no ano passado. Como explicar essa contabilidade heterodoxa e kafkiana? Estamos diante de um escândalo em praça pública, fácil de ser desmontado – pelo que dizem os próprios institutos. É preciso agir.

Entre as empresas que mais fazem pesquisas “autofinanciadas”, as cinco primeiras estão aqui: Veritá, Real Time Big Data, Vetor Arrow, Atlas Intel e Paraná Pesquisas. Gastam milhões de reais do orçamento próprio para divulgar como andam as corridas eleitorais Brasil afora. Todos dizem seguir religiosamente as normas estabelecidas pela legislação.

Das cinco marcas citadas acima, quatro costumam atuar no mercado alagoano. Este ano, já divulgaram cenários de intenção de voto no estado. Quem pagou? Podem ter sido partidos políticos, aliados das mais fortes facções partidárias, grandes empresas, milionários com negócios em parceria com a esfera pública etc. 

Ninguém perde dinheiro voluntariamente. Tem algo de podre nesse negócio, não resta dúvida. Transparência aqui é mais do que uma qualidade recomendável. É requisito incontornável. Se a liberdade de expressão e o combate à censura são indispensáveis nessa parada, é obrigatório que os institutos atuem com máxima responsabilidade.

Do jeito que está, ficam todos sob suspeita, cobertos com a sombra pesada da desconfiança e do descrédito. Como acreditar nos percentuais que as pesquisas atribuem aos candidatos? Se há crime, teríamos os nomes dos autores materiais. Faltaria investigação séria para chegar aos mandantes, os autores intelectuais. É o que está aí.

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Nota. O juiz Maurício Breda derrubou a própria decisão – e liberou a pesquisa Real Time Big Data, que ele havia censurado, sobre as eleições alagoanas. Escrevi sobre o caso nesta quinta-feira dois de julho. Prevaleceram o bom senso, a lógica e a lei. Ainda bem.