Carlo Ancelotti sabe que não pode contar com Neymar. O craque imaginário entrou em campo num jogo que já estava decidido – quando nosso time vencia a Escócia por 3 a 0. No UOL, José Trajano, Juca Kfouri e outros comentaristas debateram a hipótese de que se tratou de uma “homenagem” ao atacante. Durante os minutos em que esteve na partida, Neymar provou sua inutilidade. Aliás, ele é um perigo contra o Brasil.
No mata-mata contra o Japão, quando o Brasil precisava virar o jogo, o técnico não cometeu a loucura de optar pelo jogador como possível solução. Seria um suicídio. As escolhas, claro, foram por nomes que estão jogando de verdade – Neymar passeia pelo gramado e perde todas as bolas que recebe. Então por que levá-lo para a competição?
Jamais saberemos a verdade sobre os reais motivos do treinador. Ninguém na CBF dirá o que realmente aconteceu. Mas é fácil especular. Porque não são muitas as hipóteses para explicar o desatino de termos um atleta a menos para usar na busca pelo hexa. Ele está entre os convocados por pressão da cartolagem e interesse comercial. Ponto.
Um caso que se aproxima da atual situação ocorreu na Copa de 1986, quando Telê Santana levou Zico, aos 33 anos, ainda em recuperação de uma grave contusão no joelho esquerdo. O resultado foi trágico. Nas quartas de final, o craque, fora de forma, entrou contra a França na prorrogação e perdeu um pênalti sofrido pelo lateral Branco. O Brasil acabou eliminado. Ancelotti e comissão técnica não ligaram para o precedente.
Contra o Japão, o time brasileiro jogou mal. A vitória veio na reta final do jogo. O peso da camisa, algum talento individual e o imponderável explicam o triunfo. Agora vamos pegar Noruega ou Costa do Marfim, mais duas seleções longe do grupo das mais poderosas. A tabela vai nos ajudando – e ainda não houve um teste contra os gigantes.
Mas é futebol. Nesta segunda-feira 29 de junho, duas potências – Alemanha e Holanda – caíram para selecionados tecnicamente inferiores, Paraguai e Marrocos. São coisas que só acontecem nesse esporte, como reza o consagrado clichê. Em nenhuma outra modalidade esportiva o mais fraco é tão desafiador para os favoritos.
Se depender da cobertura de Globo, SBT e Cazé TV, o Brasil já está na final. Tudo é festa e algazarra após o avanço para as oitavas. Se passarmos adiante, podemos ter Inglaterra, Argentina e França pelo caminho. A hora da verdade para um grupo que, até agora, ganha as partidas, mas fica muito longe de convencer – a não ser para fanáticos.
