No time de Bolsonaro e seus vassalos Brasil afora, a mulher deve ser submissa e obediente ao homem. O lugar delas é em casa cuidando do maridão e da filharada. É o que pensam por aqui gente como Alfredo Gaspar e Fábio Costa. Mas agora, após o vídeo-bomba de Michelle, Flávio tece juras de amor e respeito ao universo feminino. Desde que a crise explodiu, o rapaz elegeu a mulherada como protagonista em tudo.
É assim apenas no palavrório, claro. Para conter danos e avarias em sua aventura na corrida presidencial, o Zero Um trabalha para ter uma mulher como vice em sua chapa. Foi o que ele expôs neste sábado ao participar de um ato de campanha em Goiânia. A investida passa recibo do tamanho da crise provocada pela ex-primeira-dama.
Ao comentar uma aliança na capital de Goiás, citando nominalmente as candidaturas, o aspirante a presidente mandou esta: “Wilder é uma pessoa privilegiada de ter ao seu lado uma mulher tão qualificada como a Ana Paula. Eu peço a Deus que eu também tenha o privilégio de ter uma vice tão qualificada quanto você, tão disposta a colaborar com o futuro do país como você está disposta a colaborar com o futuro de Goiás”.
Da publicação do vídeo de Michelle para cá, foi criada uma espécie de gabinete de crise na campanha de Flávio. Além dos pensadores do marketing, lideranças como o senador Rogério Marinho e o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, foram mobilizadas para socorrer o candidato. A ordem é produzir fatos novos que mudem a pauta.
Antes de tudo isso acontecer, a senadora e ruralista Tereza Cristina, ex-ministra no desgoverno Bolsonaro, era cogitada como vice de Flávio. Mas ele e seu entorno nunca trataram essa opção com seriedade. Favoritos continuavam aparecendo na ala masculina, como o próprio Rogério Marinho. A tendência mudou de repente.
Após Michelle denunciar ter sido “desrespeitada, humilhada e maltratada” pelo enteado, planejadores da campanha detectaram o forte perigo contra o projeto eleitoral. Agora, além de Tereza Cristina, fala-se nas extremistas Damares Alves e Bia Kicis como alternativas para compor a chapa. Mas outros nomes estão sendo avaliados.
O que uma pressão – com uma forte dose de medo na garupa – não é capaz de produzir no jogo eleitoral! E vejam que todo esse barulho é apenas para alojar uma mulher como vice, ou seja, ainda como coadjuvante na política. De todo modo, é uma mudança e tanto frente ao discurso consagrado na ultradireita que vê o feminino como zero à esquerda.
Não se assuste se, daqui a pouco, Flávio Bolsonaro se declarar militante do #Me Too.
