Até agora, salvo engano deste blogueiro, nenhum instituto nacional de peso divulgou pesquisa sobre as eleições em Alagoas. Refiro-me a marcas como Datafolha, Quaest, Ipec, Paraná Pesquisas, Real Time ou Atlas Intel. Os levantamentos sobre intenção de voto registrados por aqui até o momento são de empresas menores, regionais, de baixa relevância nesse universo. Grandes empresas cobram caro pelo trabalho.
Os custos variam de acordo com o número de entrevistados e o tamanho das localidades. A metodologia também é fator decisivo para definir o valor a ser investido. Não apenas em Alagoas, mas na maioria dos estados os veículos de comunicação locais têm dificuldade para bancar pesquisas. Não dá para manter uma periodicidade como se vê na imprensa nacional – e ainda assim veículos maiores são contidos nessa parada.
Uma pesquisa de qualidade confiável, de alcance estadual, pode chegar na casa dos 100 mil reais. Um Datafolha nacional por exemplo, pode passar de 300 mil reais – e este não é o teto para os gastos nesse negócio. Como se nota, estamos falando de um mercado milionário, que aliás vive uma expansão como nunca houve no Brasil.
Os valores são de tal modo proibitivos que, em alguns casos, empresas dividem os custos para diminuir a pancada no orçamento. Alguns institutos, como se sabe, são bancados por instituições financeiras, tipo XP e BTG Pactual, entre outros. Nesses casos, o interesse em gastar dinheiro “à toa” fica sob uma nuvem de desconfiança.
Mesmo empresas mais modestas custam uma nota. Então fica o mistério sobre a avalanche de pesquisas em Alagoas. Quem paga por tudo isso? Fundo partidário? Caixa dois? A aparente fragilidade no conjunto da obra talvez explique a sanha persecutória do nosso TRE, ao censurar a divulgação de vários levantamentos devidamente registrados.
Existe ainda o segmento das “pesquisas para consumo interno”. É o que todos os partidos fazem para testar seus pré-candidatos. Aqui, entra a categoria “pesquisa qualitativa” – que, pelo detalhismo e pela complexidade, tem custo ainda mais elevado. De novo, sobram dúvidas e suspeitas sobre a origem da grana para cobrir tantos gastos.
Nesse emaranhado de marcas irrelevantes e números duvidosos, não sabemos como andam as corridas para governo e Senado por essas bandas. O que já foi publicado não inspira confiança. O que o TRE censurou, por óbvio, fica nos subterrâneos. Por enquanto, em termos de pesquisa, o eleitorado alagoano está perdido, sem rumo, no meio do nada.
