Todos querem ficar bem ao lado dos evangélicos. Por isso, o mundo da política ignora o noticiário sobre o banco Digimais, braço financeiro da Igreja Universal, o império chefiado pelo “bispo” Edir Macedo. Operação da Polícia Federal aponta que o Digimais repetiu os métodos delinquentes do banco Master. Balanços contábeis foram fraudados para simular situação regular. A realidade, porém, era muito diferente.
Investimentos fajutos com papéis oferecidos a juros acima da média eram recorrentes na entidade financeira. Assim como o Master, o banco de Macedo esperava se salvar via Fundo Garantidor de Crédito. A situação já era conhecida havia muito tempo. Bem antes da ação da PF, a revista Piauí publicou reportagem esmiuçando a bandalheira.
A investida em empréstimos consignados e o financiamento de veículos foram outra frente de trambique. A Operação Miragem, da PF, resultou no bloqueio de 670 milhões de reais dos investigados. A bagaceira tem ainda negócios com terrenos, fundos de pensão e empresas fantasmas. A fraude bate na esfera dos bilhões de reais.
Mas ainda assim o silêncio no meio político atravessa todo o arco ideológico. Do PT ao PL, do Novo ao PSOL, do Missão ao PC do B, nenhuma palavra sobre os negócios do dono da Record TV. Edir Macedo tem a blindagem da Bíblia Sagrada, em nome do Senhor e de Nossa Senhora. O contrário do que se vê no caso Master.
E por que toda essa proteção a esse homem santo? Porque ele representa, vejam só, milhões de seguidores de uma religião. Bater no “bispo” seria perseguição a um pregador dos valores cristãos. Seu terreno no céu estaria ameaçado caso você cometesse a heresia de chamar de roubalheira aquilo que não passa de... roubalheira.
Sendo mais claro, estamos falando de eleição e voto. Quem vai se arriscar a perder apoio do eleitorado crente? Entre o interesse público e a garantia da votação sagrada, a política escolhe o segundo caminho. Assim, nem Lula nem Flávio Bolsonaro querem se meter nesse debate inexistente, digamos assim. A religião sequestrou a liberdade eleitoral.
Edir Macedo e a Universal são sócios majoritários do Republicanos, o partido de Hugo Motta, Marcelo Crivella e Davino Filho. O presidente nacional da legenda é o deputado federal Marcos Pereira, “bispo licenciado” da Universal. Estão todos no mesmo templo sagrado. Aqui, direita e esquerda seguem os mesmos mandamentos. Aleluia!
