Para quem adora odiar a Globo, a Copa do Mundo 2026 oferece duas alternativas: a Cazé TV e o SBT. A primeira se consagra como campeã de acessos pelo YouTube. Já o canal criado por Silvio Santos tenta um destaque inédito na disputa pelo público da velha televisão. Em tese, são duas novidades a desafiar o domínio global. Em tese. No fim das contas, os três concorrentes se igualam em aspectos centrais na cobertura.

O principal ponto em comum é o tom festivo, o oba-oba, o patriotismo a toda prova. Por mais que a Seleção Brasileira demonstre limitações evidentes, a ordem para repórteres, comentaristas e apresentadores é exaltar o desempenho do time. A realidade mostra uma coisa, o “jornalismo” defende o contrário. Nossa fé desafia os fatos.

De tudo o que se escreve sobre a Cazé TV, o elogio recorrente vai para o modelo descontraído. Como se isso fosse uma revolução frente ao que a TV mostra desde sempre. Mas é o contrário. Repórter engraçadinho no jornalismo esportivo é uma praga milenar. Zero de informação e overdose de baboseiras, eis o padrão.

Não por acaso, a Cazé está cheia de influenciadores – os famosos porque famosos – com seus pinotes, dancinhas e caretas. Tudo aos gritos. A sensação é de que os novidadeiros estão tratando com uma plateia de infantilóides. Se isso representa o futuro e a vanguarda das transmissões esportivas, já era. Combina com o Metaverso.

Mas, ainda sobre a revolucionária Cazé, nada supera a “sacada” de ter Romário como comentarista! Um político, no exercício do mandato, com um microfone na mão para falar ao Brasil?! E é o Romário – aquele que não produz uma frase sequer na qual sujeito, verbo e predicado dialoguem de maneira minimamente amigável.

No SBT, a grande novidade é... Galvão Bueno. Zapeando entre uns e outros, ao parar no canal, lá está Galvão brigando com o comentarista que ousa criticar o Brasil. É o que ele fez na Globo a vida toda. Aqui a patriotada chega ao estado da arte. E tome repórter no meio da galera, feito um alucinado, a trocar informações por histeria.

Na Globo, Everaldo Marques ocupa o lugar que foi propriedade privada de Galvão por décadas. Muito melhor. Tirante essa nota positiva, a emissora reincide no crime de presepadas, a começar com o deslumbramento com a tal Times Square e Nova York. Teve até garçonete cantando Aquarela do Brasil. Se é para enfiar o pé na jaca, tudo bem. 

Nos canais que mostram os jogos, o panorama é devastador para o que se entende como imprensa. Um gol contra atrás do outro. O jornalismo perde de goleada.