A Seleção Brasileira venceu a Copa de 1950 antes de entrar em campo para jogar. Na grande final no Maracanã, a realidade se impôs e o Brasil perdeu para o Uruguai. É a grande tragédia da história do nosso futebol – muito mais arrasadora do que os 7 a 1 da Alemanha no Mundial de 2014, também em nossa casa. A cada quatro anos, o país junta política e esporte como nunca se vê em nenhum outro evento. Uma relação delicada.

Mas não é somente nas Copas que as esferas se misturam. No país inteiro, os clubes são controlados direta ou indiretamente por políticos de todas as tendências ideológicas. As federações estaduais, responsáveis pela gestão desse negócio, também são movidas com o combustível da política. Está aí a família Feijó a aprontar na federação alagoana.

CSA e CRB também têm um histórico de relações agitadas com o mundo político. Ao longo das décadas, forças diferentes se revezam na gestão dos clubes. Ao que parece, existe a crença de que chefiar um time rende ganhos com o eleitorado – a depender, claro, do placar nos jogos e da conquista de campeonatos. Geralmente é assim.

Nos incontáveis casos de relações explosivas entre futebol e política, o Vasco da Gama é ilustração perfeita. Os lances inacreditáveis vistos no clube do Rio de Janeiro estão expostos do documentário A Mão do Eurico, do Globoplay. São tantos absurdos que até parece um filme de ficção. O cartola Eurico Miranda não teve rival nessa bagaceira.

Voltando às Copas, a politicagem deu sua contribuição para o desastre com a bola rolando em 1950. Os caciques da época surfaram a onda do país campeão antes da hora. Governador e parlamentares diziam que os jogadores tinham obrigação de ganhar. Pressão de todos os lados. Após a derrota, o time foi achincalhado como fraco e covarde.

Na conquista do tri, a mitológica Seleção de 1970 não escapou da influência do poder dominante. Uma ditadura no auge da repressão. A troca do técnico João Saldanha por Zagallo até hoje rende especulações. Saldanha teria repudiado as pressões na escolha de seus convocados. A conquista de Pelé, Gerson, Tostão & Cia. superou a controvérsia.

Neste sábado 13 de junho, dia da estreia do Brasil, em jogo contra o Marrocos, Lula tirou sua casquinha da ocasião. Deu recados ao técnico Carlo Ancelotti e aos jogadores. Nada demais. Foi o que fizeram todos os presidentes nas Copas disputadas até hoje. Afinal, a “pátria em chuteiras” vai ao jogo sob o barulho de milhões de torcedores – o eleitorado.