O bolsonarismo raiz, suprassumo do reacionarismo mais boçal e abrutalhado, achou seu candidato ao Senado em Alagoas, mas não produziu um nome forte para disputar o governo do Estado. Vejamos. O modelo ideal da extrema direita é o deputado federal Alfredo Gaspar, que virou o mandachuva no PL da província. Ele é a aposta principal na briga por uma das duas vagas de senador. Falta, no entanto, o cabeça de chapa.

Sem uma alternativa puro sangue para o governo, a facção de Bolsonaro tenta se acertar com João Henrique Caldas. O ex-prefeito de Maceió vai e volta como possível representante do grupo chefiado pelo ex-presidente condenado por golpe de Estado. Por que, mesmo não sendo um fiel seguidor do capitão da tortura, JHC é cortejado pelo PL? 

Porque o gestor tiktoker tem voto. Com aprovação nas alturas pela população da capital, JHC caiu em campo na tentativa de concretizar sua candidatura ao Palácio dos Palmares. Ocorre que, para ter o apoio da turma da extrema direita, ele tem de se ajoelhar ao bolsonarismo. Tem de se engajar na aventura Flávio Bolsonaro.

Mas João Henrique se aliou ao vice-governador Ronaldo Lessa. Para Gaspar e seus pares, Lessa é um “comunista radical”. Pense! E esse é apenas um dos entraves para que saia uma aliança entre JHC e os faccionados do PL. Sem o ex-prefeito como puxador de voto para Flávio Master Rachadinha, o PL buscaria um nome de suas próprias fileiras.

Foi desse impasse que surgiu o doutor Henrique Costa, ex-reitor da Uncisal. Com fala mansa, o rapaz, que chamei de “poca urna” em texto anterior, segue os mais obscuros “valores” da família miliciana que avacalhou a gestão pública no Brasil por quatro anos. “Defensor da saúde”, será que receitou cloroquina contra a Covid 19?

À altura de Gaspar no fanatismo bolsonarista temos o deputado federal Fábio Costa (do Progressistas), o deputado estadual Cabo Bebeto e o vereador Leonardo Dias, ambos do PL. Sem JHC, o bunker da extrema direita golpista poderia sacar um dos três. Estaria bem representada com qualquer um desses gigantes da “nova política”.

Claro que não é tão simples assim. Primeiro porque o trio não tem alcance eleitoral pelo interior alagoano. Segundo porque cada um deles já cumpre o devido papel de subserviência à causa, se é que estou sendo claro. Cada qual na sua, exibem a dose de truculência e vandalismo institucional que alimentam a seita do Bozo.

Nesse panorama, JHC vai esticando a corda, nos limites dos prazos e da paciência de todo mundo. Enquanto não cravar afinal para que lado vai e, sobretudo, na companhia de quem, a ultradireita adia o anúncio de seu bloco na disputa com Renan Filho. Por aí.