Pronto, o PCC e o Comando Vermelho agora monopolizam o debate político em Alagoas. Não faltava mais nada na patifaria que modela outras facções – aquelas conhecidas por siglas partidárias. Os mais assanhados são aqueles que adoram quando a polícia invade as periferias e esmaga os segmentos esmolambados da sociedade brasileira. De delegado a deputado, essas porcarias vibram com a barbárie. Aqui, nada de novo.
Depois que a polícia alagoana prendeu o tal PTK, autoridades de todos os lados aparecem querendo tirar uma lasquinha do episódio. Pelo que entendi, adversários políticos tentam empurrar uns nos outros alguma ligação pretérita com o acusado de pertencer ao Comando Vermelho. O sujeito se apresenta como influenciador digital.
O caso ganhou dimensões maiores após manifestação do ex-prefeito de Maceió João Henrique Caldas. Afoito na campanha eleitoral para governador, o gestor tiktoker acusou o governo de Alagoas (e o MDB) de ligação com o “faccionado”. O governador Paulo Dantas reagiu jogando PTK no colo de JHC. Nas redes, a presepada corre solta.
Aquela figurinha que finge ser delegado, enquanto fatura na política partidária, veio a público afirmar que “alertou” sobre esse perigo em 2024. Refiro-me ao marombado que é dublê de vereador e secretário de Rodrigo Cunha, o sucessor invisível de JHC.É isso o que dá entregar cargo público a arrivista politiqueiro. Um caso perdido, claro.
E o que esses “especialistas” defendem como política de segurança pública? (Sim, o tema é relevante, mas não sob as ideias dessa gentalha). O que todos eles seguem é a linha do ex-governador Cláudio Castro, aquele que chefiou a matança de mais de 100 pessoas no Rio de Janeiro, a pretexto de enfrentar as facções criminosas. Balela.
Balela e bandidagem com o aparato de Estado. O tráfico e o crime em geral seguem do mesmo jeito nas áreas do Alemão e da Penha, onde ocorreu a chacina policial carioca em outubro do ano passado. Já o então governador, inelegível pelo TSE, foi flagrado se lambuzando no dinheiro podre de Daniel Vorcaro. Está a um passo da prisão.
Tratar a segurança pública como se viu nos últimos dias em Alagoas é coisa de trambiqueiros da política – exatamente como a família Bolsonaro fez a vida toda. Denuncia bandido – e é cúmplice até o pescoço de milicianos e matadores de aluguel.
Como escrevi em texto sobre JHC candidato a “xerife”, não estamos numa eleição para delegado de polícia. E, acrescento agora, também não estamos realizando seleção para torturador em porões oficiais, se é que fui claro. As coisas não param de piorar.
