Quando eu era editor dos telejornais da TV Gazeta, mais de 30 anos atrás, lidei com reportagens que tratavam de uma novidade revolucionária: o telefone celular. Aquele aparelho deixou rapidamente de ser exclusividade dos bacanas para cair nas mãos de todo mundo. E aí havia reportagens sobre como o telefone móvel “já é instrumento de trabalho para pedreiros”. Ou para vendedores ambulantes e carroceiros.
O celular é tão avassalador que até hoje, três décadas depois, ainda vejo na TV repórteres contando histórias de “quem não consegue mais viver sem esse aparelhinho”. Incrível! Não por acaso, temos de conviver com o eterno – e cansativo – debate sobre “a idade ideal para seu filho ter o primeiro celular”. E tome “especialistas” a dar receitas.
Tudo o que veio depois de mais arrasador na vida cotidiana passa pelo telefone móvel. As redes sociais são a prova disso. De tudo se faz pelo celular que carregamos para todos os lados. Trabalho, relações e – o mais incontornável – o consumo, as compras. Claro, afinal o dinheiro é a alma do negócio, de todos os negócios, até dos afetos.
O celular foi uma invenção planetária. O mundo não conhece, até agora pelo menos, outra revolução tão arrasadora quanto a telefonia portátil. Refiro-me ao Pix. É uma invenção não de natureza física, mas virtual – mas conectada inapelavelmente ao aparelho telefônico. Assim como as redes sociais, embora estas estejam no notebook.
O Pix está para o brasileiro assim como o Instagram e o WhatsApp estão para a humanidade inteira. Se esses troços saem do ar, bilhões ficam à beira de um colapso nervoso e mental. A abstinência forçada de uma dessas ferramentas é perigo mortal – e isso não é força de expressão. A tecnologia nunca foi tão viciante. E tão letal.
Agora imagine que um bando decide sabotar o WhatsApp, impedir você de usar essa invenção infernal. O que o povão pode fazer com quem ouse ameaçar a existência de tal mecanismo? Forca para o desgraçado, seja ele de esquerda, de direita, conservador ou vanguardista. É a mesma coisa que impedir sua respiração, sua vida, afinal.
Pois bem. Não é que Trump quer destruir o Pix brazuca?! E isso com a ajuda de um grupo político – o bolsonarismo. É a “narrativa” que está posta, não adianta negar. Sim, Flávio Bolsonaro acaba de dar a Lula sua maior bandeira na campanha eleitoral. A guerra mudou de patamar. Traidores da pátria, tremei! Na defesa da soberania, o Pix é nosso!
