No panorama das disputas eleitorais pelo país, esta é, acredito, a notícia mais surpreendente dos últimos tempos. A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), virou o placar sobre o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB). Em nova pesquisa Datafolha, divulgada nesta quinta-feira 28, em cenário de segundo turno, a candidata à reeleição aparece com 51% das intenções de voto, contra 44% do adversário.
Na projeção de primeiro turno, Lyra tem 48% das preferências, contra 43% do prefeito. Num distante, muito distante terceiro lugar, está o candidato do PSOL, Ivan Moraes, com 2% das citações. Com a briga solidamente afunilada entre dois nomes, é forte a chance de uma definição no primeiro turno. Era o que aparecia na pesquisa anterior.
Mas em favor de João Campos. No levantamento de abril, ele marcava 50% das preferências, contra 38% da governadora. O que se tem agora é quase uma inversão desses percentuais. Até alguns meses atrás, 11 entre 10 analistas apontavam um triunfo praticamente certo do jovem herdeiro da política pernambucana. Já não é bem assim.
O que explica a reviravolta? Desde sua eleição em 2020, Campos surfou a onda oba-oba das redes sociais. É o modelo ideal do gestor tiktoker. O rei das dancinhas, das fantasias, do cabelo platinado. Muita performance no calendário festivo, como São João e Carnaval. A administração migrou dos ambientes institucionais para o Instagram.
Tudo isso lembra algum prefeito por essas bandas de cá? Claro. João Campos e João Henrique Caldas venderam a ideia de amigos desde a infância, enquanto estavam no mesmo partido, o PSB. JHC repetiu cada passo das dancinhas do parça recifense. O mesmo padrão, a mesma ligeireza no trato com as demandas da cidade.
Não são os únicos, naturalmente. A moda pegou Brasil afora. O bonde da lacração invadiu Legislativo e Executivo. Seus representantes não dizem um A sem antes acionar a câmera do celular para fazer papagaiada diante do grande público. Um dia, isso cansa, sei lá. O governo da carismática Raquel Lyra é apoiado por 67% da população.
A alta aprovação decorre, parece, de uma gestão com acertos visíveis, e não apenas de viralizações fabricadas no Metaverso. O feito da governadora acende o alerta para os candidatos que pretendem vender nas campanhas eleitorais o legado de remelexos em shows de cachês milionários. Será o fim da era dos prefeitos tiktokers? Tomara.
