O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, lamenta profundamente o “timing” do escândalo Flávio-Master. Tivessem as revelações vindo à tona meses atrás, ele seria ungido pela extrema direita à candidatura presidencial. As pressões para que o Zero Um desistisse da corrida viriam de todos os lados – e de forma avassaladora. Os donos do dinheiro, o topo do reacionarismo, centrão e o próprio PL jogariam o senador à fogueira.
Porque Tarcísio Boné do MAGA sempre foi o favorito do “mercado”. Com discurso arreganhado de privatização geral e tudo nas mãos do grande capital, ele passou o último ano bajulando essa elite mequetrefe que rapina o país desde sempre. Dia sim, dia também, estava em convescotes de banqueiros repetindo mais do mesmo.
Mas aquele áudio que desmoraliza Flávio Bolsonaro chegou tarde para o governador. Pelas regras do jogo, para se candidatar a presidente, Tarcísio teria de ter deixado o cargo até o começo de abril. Passou. Terá de esperar uma janela em 2030. Como isso é uma eternidade em política, sabe-se lá o que pode acontecer em quatro anos.
Resultado: ao menos até agora, para o time do quanto pior, melhor, Flávio é o cara do “só tem tu, vai tu mesmo”. As pesquisas mostram Lula favorito para a reeleição. Já era assim, e ficou mais provável. Fosse hoje a eleição, é o que mostram quatro pesquisas publicadas desde a explosão do escândalo envolvendo o filme sobre o pangaré golpista.
Do jeito que vão as coisas, Flávio pode mesmo ser o melhor adversário para Lula. Vai atravessar a campanha tendo que explicar o “batom na cueca” – além de outros esqueletos, como rachadinha e mansão milionária. No jogo das disputas eleitorais, essa situação é um clássico, como bem ensinou Tancredo Neves. (Memória sempre ajuda).
Como escrevi em texto anterior, a mancha podre na candidatura de Flávio já causa estragos nas alianças estaduais do PL. Em alguns estados, por enquanto sem briga pública, pré-candidatos a governador querem distância do rapaz radioativo. Com cuidado para não aumentar a crise, lideranças regionais buscam alternativas.
O irmãozão de Daniel Vorcaro está em vadiagem pelos Estados Unidos. Tem como farol intelectual aquele Paulo Figueiredo, o empresário vigarista que, ao lado de Eduardo Bolsonaro, trabalha contra os interesses do Brasil. Querem audiência com Donald Trump. Apenas mais uma tentativa de desviar o foco, de escapar da tempestade Master.
Flávio, reitero, cumpre à perfeição o papel de melhor adversário de Lula.
