A briga entre Aldo Rebelo e João Caldas escalou alguns degraus e bateu num patamar mais delicado, digamos assim. Depois de ser escanteado pelo presidente do Democracia Cristã, Rebelo ligou essa decisão ao caso do banco Master. “Eu via que o João Caldas estava muito nervoso”, disse o ex-ministro. Em entrevista à CNN Brasil, Rebelo afirma que JC busca “algum tipo de proteção” ao escolher Joaquim Barbosa como pré-candidato.
“Essa venda desses títulos envolve não apenas o ex-prefeito JHC, mas envolve o próprio João Caldas”, ressalta o ex-presidente da Câmara dos Deputados. Para Rebelo, a investigação sobre a relação da prefeitura com o Master vai bater no STF. Daí, na sua versão, o comandante do DC procurar Barbosa para ser candidato a presidente.
Ainda na CNN, Rebelo afirma que João Caldas teme que o caso seja explorado na campanha eleitoral em Alagoas. “O presidente desse instituto de previdência [de Maceió] é muito ligado a João Caldas, e a Polícia Federal abriu uma investigação”, segue o até então pré-candidato – que agora parece definitivamente retirado do jogo.
E chegamos a uma afirmação de Aldo Rebelo que atualiza uma velha tradição nas brigas da política brasileira. Ele fala num suposto dossiê que estaria circulando entre Alagoas e Brasília. Em suas palavras: “Circula um dossiê dos negócios da família Caldas na prefeitura de Maceió”. Seria esse o motivo de tanto “nervosismo” de João Caldas.
De fato, adversários do ex-prefeito João Henrique Caldas já citaram o episódio da compra de títulos do Master pelo Instituto de Previdência de Maceió. O negócio, é claro, teve aval direto do então prefeito JHC. Até hoje a prefeitura não deu explicações sobre essa operação. Foram “investidos” 117 milhões de reais em papéis que nada valem.
O Gabinete do Amor a serviço de JHC atribui a seus adversários a denúncia sobre a relação Prefeitura-Master. Não é bem assim. Especulação é especulação, fato é fato. O município usou recursos destinados a aposentados para comprar títulos podres de um banco suspeito. Se foi tudo de boa-fé, sem mutreta, então houve incompetência.
Não tenho notícia de que em algum momento o senhor JHC tenha falado sobre o tema em alguma entrevista. Aliás, ele foge do contato direto com jornalistas. Prefere falar sozinho, sem contestação, pelas redes sociais. A campanha, então, poderá obrigá-lo a apresentar alguma “narrativa” sobre esse tremendo mistério. Com ou sem dossiê.
