Nenhuma eleição é igual à outra, segundo o clichê mais preciso quando se trata da guerra pelo voto do brasileiro. Na primeira disputa após a ditadura instalada em 1964, foram nada menos que 22 candidatos. Collor, Lula, Brizola, Covas, Maluf, Ulysses, Caiado e Gabeira estavam no elenco de concorrentes. Que país era aquele? A pergunta do roqueiro volta de vez em quando, quase sempre de modo descabido ou até idiota

Vejam que alguns dos nomes citados ainda estão por aí, tocando suas trajetórias do jeito que dá, quase quatro décadas depois. Mas o assunto aqui é apenas a eleição. Se a cada quatro anos, temos transformações e novidades entre aspirantes ao Planalto, 2026 não está sendo diferente. Aliás, o panorama geral acaba de virar de ponta-cabeça.

Até agora, salvo engano, temos 11 pretendentes na fase inicial de pré-campanha. O mais recente a lançar seu nome foi o escritor de autoajuda Augusto Cury. Um de seus títulos mais sugestivos é O Vendedor de Sonhos. Outro é Você é Insubstituível. Não sei do que se trata, mas faço uma vaga ideia. O homem ficou milionário com essas marmotas.

Mas essa figura não altera em nada a briga pela Presidência. Falei antes que o cenário virou de cabeça para baixo. E isso se deu após a descoberta da parceria clandestina entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro. O escândalo produziu um rombo no casco do navio bolsonarista. A extrema direita está tonta no meio da tempestade.

Resultado político: três novas virtuais pré-candidaturas. Primeiro foi Joaquim Barbosa, lançado pelo DC do alagoano João Caldas. O até então escolhido era o também alagoano Aldo Rebelo. O partido nanico entrou em guerra entre as alas que preferem um ou outro. Rebelo ameaça recorrer à Justiça para se manter no páreo pelo DC.

De ontem para hoje, mais surpresas. Aécio Neves cogita botar seu nome na roda. O PSDB e aliados chegaram à conclusão de que a decadência de Flávio Master abre espaço para tal alternativa. Um nome para bater no lulismo e no bolsonarismo. Parece doideira? Parece, mas o que restou do tucanato leva a sério a possibilidade e vai à luta.

E finalmente, mas não menos desconcertante, é o possível pré-candidato Cleitinho Azevedo (foto), senador mineiro que, por ora, está na disputa pelo governo de seu estado. Ele é do Republicanos, o partido da Igreja Universal. O parlamentar também acha que o moribundo Flávio vai afundar mais. Daí a janela de oportunidade.

Tudo isso está na imprensa, e agita a campanha que, oficialmente, não começou. Aécio, Barbosa e Cleitinho garantem novas emoções na peculiar eleição deste 2026. Virou corrida maluca. No instante agora, Lula, dado como morto, corre em pista livre.