Agora é oficial. O novo pré-candidato a presidente pelo Democracia Cristã é o ex-ministro do STF Joaquim Barbosa. Assim, como escrevi no texto anterior, o ex-deputado Aldo Rebelo está sendo descartado. Fora da corrida presidencial, ele tem a legenda para disputar outro cargo – o de senador, por exemplo. Rebelo a princípio repudia os novos planos do partido para ele. A mudança de candidatura pelo DC, porém, é definitiva.

A decisão do presidente da legenda, o ex-deputado João Caldas, provoca um racha, porque alguns diretórios são contrários à novidade. É o caso da direção da sigla em São Paulo, que tem como presidente o ex-deputado Cândido Vaccarezza. Ele exerceu mandatos pelo PT e, em 2017, chegou a ser preso no arrastão da Operação Lava Jato.

Vaccarezza disse ser impossível dar apoio ao nome de Barbosa. Caldas, bem ao seu estilo, afirmou que a mudança de rumo não tem volta – e quem for contra será “expulso sumariamente” do partido. Rebelo falou em interesses espúrios. A briga é feia.

Formalizada em abril, a filiação do ex-juiz do Supremo ao DC se deu em segredo. Foi revelada somente agora pelo jornalista Fábio Zanini na Folha de S. Paulo. Ao que parece, João Caldas e Barbosa vinham costurando a candidatura longe do conhecimento da maioria dos integrantes da legenda. E eles não chegaram ao acordo a partir do nada.

O DC tem um quadro desenhado a partir de pesquisas qualitativas. No atual panorama brasileiro, Joaquim Barbosa ocupa uma raia que dá resposta à demanda geral por probidade na política e reforma no Judiciário. Independentemente da justeza em tal diagnóstico, não se pode negar a lógica desse pensamento. Pode dar um caldo.

Em outras palavras, o ex-ministro do STF tem legitimidade para defender o que outros tentaram, mas foram desmoralizados pelo pragmatismo baixo no jogo político. Exemplo preciso é Sergio Moro, o herói da honestidade que se revelou às botas do bolsonarismo.

Estamos falando em tese, naturalmente. A ver como o discurso do novo pré-candidato se combina à realidade. No topo do Judiciário, o magistrado se portou várias vezes como salvador da pátria. A postura piscou sempre para um populismo demagógico.

Além disso, a aventura patrocinada por João Caldas e o DC tem, na largada, dois tremendos desafios. O primeiro é armar uma estrutura de campanha que, hoje, o partido está longe de ter. Para isso, precisaria convencer outras siglas e fechar alianças de peso.

A segunda encrenca é ainda mais difícil. Trata-se de apresentar ao público uma alternativa capaz de superar a chamada polarização. Joaquim Barbosa tenta entrar no jogo como a materialização da terceira via – que é, até hoje, uma quimera.