“Zero de dinheiro público”. Com essa frase, Flávio Bolsonaro tentou se defender do flagrante vexatório no qual aparece rastejando pelos trocados de Daniel Vorcaro. (Como se nota no diálogo, o senador se mostra subserviente ao então banqueiro. Fala baixo, pede desculpas por cobrar o dinheiro, mas diz que está fazendo aquilo porque Vorcaro “deu liberdade” para isso). Fechado o parêntesis, vamos ao ponto.
Para não variar, o Zero Um recorre ao diversionismo. Ainda que fosse verdade a afirmação de Flávio que abre este texto, o escândalo continuaria do mesmo tamanho. Porque isso não é o que está em jogo inicialmente. Mas a afirmação é falsa. O que mais tem no caso do banco Master é verba saída dos cofres do erário. Uma das fontes da fortuna do Master eram os fundos de previdência de servidores públicos.
A instituição financeira arrecadou recursos por esse meio em praticamente todos os estados do país. Os casos mais gritantes são Amapá (400 milhões de reais), Rio de Janeiro (970 milhões de reais) e Maceió (117 milhões de reais). Além do pódio com os três maiores medalhistas, há outros 14 municípios e o estado do Amazonas na lista.
Ao todo, 18 fundos previdenciários – administrados por prefeituras e governos estaduais – jogaram no Master a fortuna de 1,86 bilhão de reais. Tudo isso é contribuição previdenciária sob o controle de governadores e prefeitos. Dinheiro público, sim senhor.
O patrimônio privado do Master, portanto, foi irrigado, também, pelos cofres sob o controle público. Quem decidiu “investir” essa dinheirama no banco de Vorcaro foram estados e prefeituras. No Rio e no Amapá, essa operação já rendeu cadeia para alguns.
Lógica: é possível que esses governos e prefeituras sejam, mesmo que sem saber, patrocinadores da “obra de arte” sobre o estadista Jair Bolsonaro. Mais precisamente, a prefeitura de Maceió, quem sabe, contribuiu para a realização do filme em questão.
Além da verba dos fundos de servidores públicos, está provado que o filme do Jair recebeu dinheiro de emenda parlamentar – cofre público. Mais uma demonstração cabal de como esse mecanismo, a emenda, é uma avenida para ladroagem generalizada.
Bom, a esculhambação aumenta a cada novidade que vem à tona. O financiamento público de uma hagiografia de Bolsonaro precisa ser esclarecido. Esse é apenas um detalhe no meio da patifaria. E é nos detalhes que o capeta apronta das suas.
