A expressão é um tanto deselegante, mas a filosofia popular enquadra a situação do senador Flávio Bolsonaro: é o clássico batom na cueca. Um candidato a presidente da República é flagrado num áudio implorando por milhões de reais a um banqueiro bandido, enrolado na maior fraude financeira da história do país! Esse senador é filho de Jair Bolsonaro. Mas essa não é a família mais honesta que este país já conheceu?

A situação do senador – que pretende governar o Brasil e nos salvar do mar de corrupção – é indefensável por qualquer ângulo. Sob qualquer aspecto que se queira analisar, a constatação é escandalosamente cristalina: este senhor está desmoralizado de maneira irreversível. Não há milagre que dê jeito numa bagaceira de tal dimensão.

A postura rastejante de Flávio que se verifica no áudio revelado pelo Intercept é de revirar o estômago. Ele se põe de joelhos, com falinha mansa, cheio de mesuras, para solicitar nada menos que 134 milhões de reais que seriam usados para bancar o filme sobre o papai. Já entrou para a história como um dos capítulos mais podres da política brasileira.

São tantas perguntas, tanta coisa a esclarecer que fica até difícil elaborar uma lista de prioridades nesse caso. A questão eleitoral é praticamente um dado lateral nisso tudo (ainda escreverei sobre isso especificamente). O lado mais evidente agora é a relação direta de Flávio com o bandido Vorcaro. Nem se sabe se a grana iria mesmo para o filme.

A “explicação” do presidenciável é de morrer de rir. Mais ou menos assim: olha, está tudo bem, viu? Eu estava pegando milhões de reais do banqueiro bandido, mas está tudo certo. Não tem dinheiro público envolvido nisso daí. Até ontem, Flávio dizia nunca ter encontrado Vorcaro nesta vida. Mentiu miseravelmente, como está provado agora.

E também agora o filho Zero Um quer uma CPI do Master. Quem defende isso ou é um idiota ou quer apenas tumultuar o caso. CPI serve apenas para dar palanque a picaretas da política – como se viu na porcaria da CPMI do INSS. Investigação tem de ser no âmbito do Ministério Público e da Polícia Federal. O resto é apenas diversionismo.

E finalmente o que dizem os aliados de Flávio Rachadinha Bolsonaro? O que falar numa hora dessas? Os que se manifestaram até o momento já explicaram o caso. A posição do deputado Alfredo Gaspar resume a maravilha de argumentação – técnica, objetiva e honrada: calma, pessoal, o Flávio é “um cidadão de bem”. Isso aí é culpa do Lula.

Ah, bom! Agora, sim, está tudo devidamente esclarecido.