Valdemar Costa Neto teria recebido até 60 milhões de reais para lançar um candidato ao Senado por São Paulo. A denúncia não foi feita por nenhum integrante da esquerda ou da base do governo Lula. A “bomba” foi detonada pelo insuspeito Ricardo Salles, do Novo, ex-ministro de Bolsonaro. Salles foi preterido pela turma bolsonarista na composição da chapa majoritária no estado governado por Tarcísio de Freitas. E saiu atirando.

O candidato escolhido para senador pelo PL foi o deputado estadual André do Prado, que terá como primeiro suplente, vejam só, o foragido Eduardo Bolsonaro. Ao falar sobre a negociação financeira para esse acordo, Salles pegou pesado com o filho do Jair Messias. Bananinha reagiu em tom resignado, como se não tivesse munição à altura.

As coisas não andam boas para os lados dos patriotas em termos de “combate à corrupção”. Sobre Valdemar, a ficha corrida do líder máximo do PL – o partido chefiado agora em Alagoas pelo deputado Alfredo Gaspar – fala por si. Valdemar já passou temporada na cadeia. Os cidadãos de bem da nova política fingem que nada aconteceu.

Como se sabe, um dos nomes mais vistosos no campo bolsonarista caiu em desgraça nas últimas semanas. O senador Ciro Nogueira deixou de lado as articulações eleitorais – ele tenta renovar o mandato pelo Piauí – para se defender no lamaçal do caso Master. O presidente nacional do Progressistas precisa de uma verdadeira feitiçaria.

É que as acusações são de tamanha gravidade, com evidências escandalosas, que o trabalho de advogados não basta para Ciro Nogueira. Aliás, ele trocou de escritório de advocacia depois que a crise o engoliu inteiramente. Flávio Bolsonaro, que disse ver no senador “o vice dos sonhos”, agora chuta o parceiro à luz do dia e em praça pública.

E o que dizem os patriotas alagoanos aliados a Valdemar, Ciro e Flávio? Silêncio de cemitério. Quem falou sobre o senador do Progressistas foi Alfredo Gaspar. E o que ele disse? Que tudo é culpa do Lula! Pensei que ele iria dizer o que dizia na CPI do INSS – que todo vagabundo ladrão tem de ir para cadeia. É “indignação seletiva” que chama?

Outro dia escrevi aqui um artigo sobre o incêndio no cabaré da extrema direita. As labaredas não param de subir, as reputações vão sendo carbonizadas, novas mutretas estão expostas. Mas, para salvar o Brasil, o que importa é anistia geral para golpistas.

Em outra frente de batalha patriótica, a direita alagoana convoca para uma dupla ação em defesa dos valores da família: uma degustação de detergente Ypê e uma corrida com o slogan “Acorda Brasil: Fora Lula”. Interessados devem levar a ferradura.