A guerra é pelo controle do Senado. O bolsonarismo e a ultradireita quase não pensam em outra coisa. Como se sabe, foi o próprio Jair Bolsonaro que informou a seus súditos como seria crucial fazer a maioria da Casa nas eleições deste ano. Uma maioria ampla o suficiente para levar adiante o projeto de aprovar o impeachment de ministros do STF. A rejeição de Jorge Messias para o tribunal provocou euforia na malta golpista.

Mas o resultado daquela votação não é garantia de um placar definitivo em favor das causas da oposição ao atual governo Lula. O placar tem a ver com acordos não devidamente claros, o que inclui a posição adotada pelo presidente do colegiado, Davi Alcolumbre. Outro fator cogitado teria a ver com o andamento do caso Master.

Foi o que a imprensa publicou, entre dados objetivos, hipóteses plausíveis e especulações um tanto delirantes. O resultado da votação foi, portanto, uma vitória circunstancial da turma bolsonarista, com o auxílio de insatisfeitos do centro e até governistas. Para controlar o Senado na sua quase integralidade, é preciso muito mais.

Farejando o clima de uma possível virada, as vertentes que transitam entre um lado e outro, a depender dos ventos, se mexem para não perder espaço a partir de 2027. Flávio Bolsonaro e Alcolumbre se confraternizam após a derrota de Lula na votação de Jorge Messias. Já trocaram pedradas, agora trocam abraços e tapinha nas costas.

O paraíso para o bolsonarismo seria a vitória de Flávio e a eleição avassaladora de candidatos ao Senado. Se isso acontecer, os porões do inferno se abrirão de vez. O país estará numa quadra mais degradante do que os quatro anos sob o governo do abjeto capitão da tortura. Anistia para bandidos e destruição geral dos programas sociais.

Nos últimos dias, Eduardo Bolsonaro apareceu como eventual suplente numa chapa para o Senado por São Paulo. É uma jogada que não faz sentido agora, mas tem tudo a ver com o que esperam os herdeiros e aliados de Jair Messias. Em comum entre as variantes da extrema direita, esta lógica elementar: se Flávio ganhar, a gente pode tudo.

Não por acaso, o candidato Rachadinha avisou que, se eleito, o pai bandidão subirá com ele a rampa do Planalto. E Eduardo estará de volta, livre e solto. A turma está tão assanhada que já escalou virtuais opções à presidência do Senado no ano que vem.

Os mais citados são Rogério Marinho e Tereza Cristina. Ainda que Alcolumbre já acene para aliança num eventual governo dos milicianos, eles querem alguém cem por cento na coleira. É nessa tropa de elite que está o representante das Alagoas, Alfredo Gaspar.