Bateu o desespero. Ou, no mínimo, subiu demais a temperatura no meio político após a operação da Polícia Federal nesta quinta-feira 7 de maio. Um dos principais atores no jogo do poder em Brasília, o senador Ciro Nogueira foi alvo de busca e apreensão no âmbito das investigações do caso Master. Segundo a PF, ele recebia uma mesada do banqueiro Daniel Vorcaro no valor de 500 mil reais a cada mês. E não parou aí.
Nogueira também tinha cartão de crédito para fazer pagamentos durante seus passeios como turista internacional. Um irmão do senador aparece como beneficiário de um negócio milionário na compra de ativos financeiros nas empresas do banqueiro. Pelos fortes indícios, o ministro André Mendonça, relator do caso, autorizou a operação.
Ciro Nogueira não é qualquer um do baixo clero no Congresso Nacional. Ex-ministro da Casa Civil de Bolsonaro, ele é presidente nacional do PP, uma das principais legendas do centrão no parlamento. Até ontem, era reverenciado em verso e prosa pela campanha de Flávio Bolsonaro a presidente, cotado inclusive para ocupar o posto de vice.
Em vídeo que voltou a circular, o Zero Um cravou que o senador do Piauí era o “vice dos sonhos”. Valdemar da Costa Neto, presidente nacional do PL, também dava uma força nessa possibilidade. Naturalmente tudo isso acaba de implodir diante da gravidade dos novos fatos. Defensores da ideia olham para o outro lado e mudam de assunto.
Flávio Bolsonaro se apressou a soltar uma nota em tintas lacônicas. Não cita o nome do ex-vice dos sonhos, afirma que defende as investigações e, vejam só, pede “respeito ao devido processo legal”. Faz pouco tempo que, para a turma de Jair Bolsonaro, zelar pela presunção de inocência e ampla defesa era “coisa de vagabundo”.
O partido presidido por Nogueira integra a federação com o União Brasil, chefiado pelo inclassificável Antônio Rueda. A aliança resultou num gigante do cenário político nacional. Leio na velha e boa imprensa que, a partir de agora, há uma contagem regressiva para a PF chegar em Rueda. O clima de pânico está disseminado.
A defesa de Daniel Vorcaro entregou à Procuradoria-Geral da República uma proposta de colaboração premiada. Sabe-se lá o quanto essa onda vai mesmo adiante. De todo modo, a expectativa é sobre o potencial de estrago que esse caso pode provocar na campanha eleitoral. O capítulo de hoje sinaliza para a hipótese de vendaval no horizonte.
