Duas notícias sobre o presidente da República. A primeira: Lula está morto, informa a maioria dos colunistas na boa e velha imprensa brasileira. A segunda: o morto lidera a corrida eleitoral no primeiro turno, dizem os números divulgados nesta terça-feira pelo instituto Real Time Big Data. O fantasma do petista aparece com 40% das intenções de voto, seguido pelo senador Flávio Bolsonaro, com 34% na preferência do eleitorado.
A partir daí, os demais candidatos estão com números de concorrentes nanicos, sem perspectiva de mudança nesse panorama. Os ex-governadores Ronaldo Caiado (Goiás) e Romeu Zema (Minas) pontuam com 5% e 4% respectivamente. Renan Santos, o aloprado fundador do MBL, fica com 3% das citações. Augusto Cury, Aldo Rebelo e Cabo Daciolo empatam com 1%. Esse cenário persiste há meses a cada levantamento.
No segundo turno, o candidato à reeleição aparece em empate técnico em quatro cenários testados na pesquisa – com Flávio, Caiado, Zema e Ciro Gomes. Ou seja, a eleição está mais embolada do que sempre. E, mesmo assim, a parada ainda pode ser liquidada em primeiro turno, como escrevi em texto do dia 29 de abril. Vejam lá.
Os analistas que anunciam a sentença de morte para o petista precisam combinar com a realidade, esta senhora que insiste em pulverizar fantasias. Há pelo menos dois anos e meio, tentam enterrar o ocupante do Planalto, mas o sujeito se recusa a entrar na cova. É isso o que dá quando trocamos a avaliação pela torcida, a precisão pelo chute.
A cada temporada, um novo fator é apontado como fulminante para selar o destino de Luiz Inácio Lula da Silva. Como os dados da economia seguem amplamente favoráveis, apela-se para variáveis de outra grandeza. A última seria o caso Jorge Messias barrado para o STF. Curioso que a imprensa dê aval a slogans de campanha da oposição.
Mesmo com o evidente empenho do “mercado”, com seus braços no jornalismo militante, Lula se mantém firme no páreo e assim deve seguir. Flávio também seguirá como o principal oponente do petista. Porque a sinalização da maioria do eleitorado reafirma a tal da polarização. Até agora, o desenho tende a repetir o que houve em 2022.
A essa altura, parece, não interessa o que venha a ocorrer, afamados especialistas e medalhões da “mídia corporativa” continuarão a escrever a lápide para o túmulo de Lula. Mas, reitero, como ele não entra no caixão, continua a assombrar os adversários a cada rodada de pesquisa eleitoral. Cinco meses para o dia do voto. Tudo indefinido.
