As duas expressões com aspas no título que você leu acima são tópicos consagrados no vocabulário da política, mais precisamente nas trapaças eleitorais. O primeiro, de ordem conceitual, geralmente é citado de forma negativa. Em regra, quando se ouve falar de “pragmatismo”, a maioria, especulo, entende estar diante de algo cujo sentido é pejorativo. A ação pragmática é a principal explicação para alianças heterodoxas.
Antes de avançar sobre eleições, veja o caso da votação que barrou a indicação de Jorge Messias para o STF. Alguns senadores da oposição deixaram escapar que, mesmo com simpatia pelo advogado-geral da União, votaram contra ele – porque, pragmaticamente, mais importante era derrotar Lula e o governo. E assim uma tradição nunca sai de moda.
A Esplanada dos Ministérios está cheia de ministros filiados a partidos que fazem oposição aberta ao presidente. É o caso, entre outros, do Progressistas, do MDB e do PSD. E por que essas legendas continuam com alguns de seus quadros no governo? Porque Lula, na lógica elementar da arena política, precisa seguir a cartilha pragmática.
O pragmatismo é parente de primeiro grau da conveniência e do casuísmo. Aliás, um dos casos mais desconcertantes nesse verdadeiro manual da política é a eleição para a prefeitura de São Paulo em 2012. Para garantir a vitória de Fernando Haddad, Lula fechou acordo com Paulo Maluf, inimigo histórico do PT. A foto acima celebra a parceria.
E deu certo. Haddad derrotou o tucano José Serra no segundo turno e virou prefeito da maior cidade do país. A decisão de Lula foi tão inesperada que rachou a campanha do candidato do PT. Mas, no fim das contas, o pragmatismo venceu a “ideologia”. Porque nada pode atrapalhar a “montagem de palanque” competitivo.
Corta para Alagoas, 2026. Renan Filho, João Henrique Caldas, Arthur Lira e Ronaldo Lessa vão e voltam entre amores e ódios na relação com eventuais adversários. Paulo Dantas, Alfredo Gaspar, Paulão e Luciano Barbosa fazem o mesmo na gangorra do oportunismo. Cito de memória alguns nomes de destaque no atual cenário alagoense.
Condenar sumariamente esses princípios no exercício da política é tolice. Primeiro porque o pragmatismo é cláusula pétrea nesse verdadeiro Código Eleitoral não escrito. Segundo, porque cada caso é um caso, e uma avaliação deve levar em conta o desenho específico desta ou daquela aliança. Chegou a hora de montar o palanque.
