A imprensa alagoana aponta nesta manhã de quinta-feira 30, um dia após a derrota de Lula na votação de Jorge Messias para o STF, como votaram os três senadores que representam nosso estado. No que parece ser uma conta elementar, Renan Calheiros e Renan Filho deram voto a favor do indicado do presidente. Os dois declararam suas posições publicamente. Já a senadora Doutora Eudócia não se manifestou.

Mas essa versão, a princípio bastante lógica, é posta em xeque em reportagens na imprensa nacional. Segundo a Folha de S. Paulo e O Globo, o governo tem forte desconfiança quanto às escolhas de Renan Pai e Renan Filho. A dupla teria integrado um grupo de senadores que anunciaram uma coisa, mas na votação secreta fizeram outra. 

Ainda segundo apuração dos dois jornais, os Calheiros foram convencidos por Davi Alcolumbre, o presidente do Senado, a votar contra Jorge Messias. Entre outras razões, o preferido dos alagoanos era o ministro Bruno Dantas, do Tribunal de Contas da União. Nesse balaio, o MDB foi dividido para a sabatina – e veio a traição. Na Folha:

“Entre aliados de Lula, suspeitas recaem sobre o ex-ministro dos Transportes Renan Filho e seu pai, o senador Renan Calheiros, do MDB de Alagoas. A desconfiança é que teriam votado contra a indicação de Messias em solidariedade a Bruno Dantas, ministro do TCU (Tribunal de Contas da União) que cobiçava a vaga do STF”.

O Globo lembra que os adversários do governo não teriam os votos suficientes para barrar Messias sem a adesão de aliados de Lula. “A votação [contra Messias] vai além do tamanho da oposição na Casa, o que fez o governo contabilizar possíveis traições, principalmente em partidos como MDB e PP”, relata a matéria do jornal.

Um bloco parlamentar declarou posição favorável a Messias, como explica O Globo: “O grupo de senadores favoráveis era composto por sete senadores da bancada do MDB (Alessandro Vieira, Confúcio Moura, Eduardo Braga, Jader Barbalho, Renan Calheiros, Renan Filho e Veneziano Vital do Rêgo)”. Mas eles cumpriram a palavra?

Segundo apuração do jornal carioca, “o governo tem grande desconfiança de que houve traições” no meio dessa turma. E os alagoanos estão agora sob suspeição diante de Lula. Qual a verdade sobre o acontecido? Com votação secreta, jamais saberemos.

Parece incrível, não é mesmo? Renan Filho atravessou o governo como ministro dos Transportes, cogitado até para vice de Lula na eleição que vem aí. Será possível que houve mesmo trairagem? Bem, direi o óbvio ululante: estamos no reino da política.