O Senado rejeitou o nome de Jorge Messias para o STF, numa “decisão histórica”, como escreve a velha imprensa em letras garrafais. E daí? Pelo frenesi que tomou conta do bolsonarismo e da ultradireita, parece que vai mudar tudo na vida dos brasileiros após a decisão dos senadores que votaram contra a indicação de Lula. Será que os preços da feira vão cair no Mercado da Produção em Maceió? Até parece que agora o povaréu vai deixar os problemas de lado – e vai às ruas celebrar “a vitória da democracia”.

Jesus de Belém! Foi bom para Flávio Bolsonaro e Sergio Moro, por exemplo. Foi bom também para Rogério Marinho, Ciro Nogueira e Eduardo Girão. Magno Malta, Marcos do Val e Damares Alves também estão dando pinotes de contentamento. Aí estão alguns nomes de senadores que ajudaram a barrar o escolhido do petista ao Supremo.

A inédita decisão é uma maravilha para esses e outros políticos que fazem oposição pela oposição, não importa o tema em debate. O que interessa é impor derrotas ao governo, com o objetivo principal de enfraquecer o presidente que busca a reeleição. Ok, é do jogo, diriam os cronistas de pouca imaginação e zero de originalidade.

No cenário mais evidente, até a rampa do Senado sabe que o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, teve papel crucial no desfecho da votação. A ironia é que ele agiu do mesmo modo na indicação de André Mendonça pelo então presidente Jair Bolsonaro. O ministro diabolicamente evangélico foi aprovado, mas com um placar apertado, no sufoco.

Outra constatação na categoria de obviedades é que a derrota de Lula era tida como previsível, diante do clima instalado no Congresso Nacional. A conflagração bateu em níveis de virulência. A cada sessão na Câmara ou no Senado, periga a hostilidade resultar em tabefes e pontapés entre senadores e deputados. E o que está horrível vai piorar.

Nesse embate com o parlamento, o presidente teria cometido um erro grave ao descartar a indicação do senador Rodrigo Pacheco, o favorito de Davi Alcolumbre. O petista pagou pra ver, e perdeu. Mas, deve-se ressaltar, Lula sofreu uma derrota política, e não eleitoral, como querem fantasiar os adversários na batalha sanguinolenta pelo poder.

Até onde sei, o dia vai amanhecer após a noite, como ocorreu ontem e ocorrerá amanhã. Em Brasília, governo e oposição analisam o que se passou – e tramam os próximos lances de lado a lado. Lula tem de indicar outro nome para o Senado decidir. No mais, milhões de brasileiros tocam o barco no país da milícia, da emenda pix e da rachadinha.