Logo após os tiros no evento com Donald Trump, Flávio Bolsonaro foi correndo às redes sociais capitalizar uma lasquinha do episódio. Escreveu o filhote candidato a presidente: “Tentar tirar a vida de quem pensa diferente usando balas ou facas não cabe numa democracia”. É o quê? Facas? Mas o que isso tem a ver com um atirador dos Estados Unidos que pretendia acertar o presidente norte-americano? A associação é eleitoreira.

Ao se solidarizar com seu ídolo e a primeira-dama Melania Trump, Flávio, o pacifista e moderado, arrematou com esta: “Que Deus nos proteja desse tipo de violência lá ou aqui”. Percebe-se a acrobacia verbal para insinuar que ele mesmo correria algum risco de vida em sua campanha na corrida presidencial. A canalhice tem história.

A família Bolsonaro e seus seguidores fizeram de tudo e mais um pouco para transformar a peixeirada no Jair, em 2018, num crime político. Até hoje, repetem a delinquência de atribuir o crime ao PSOL e à esquerda em geral. Adélio Bispo, está provado, agiu sozinho, por conta própria, movido por distúrbios mentais devidamente diagnosticados.

Mas Bolsonaro nunca desistiu de forjar a fraude do “atentado politicamente planejado”. Durante seu governo, pressionou a Polícia Federal, chefiada pelo desqualificado Sergio Moro, a apontar culpados inexistentes. Foram nada menos que três inquéritos entre 2018 e 2024, e a mesma conclusão. Não resta dúvida de que não houve mandantes no caso.

Na tentativa de tirar proveito da facada, apelando a qualquer delírio vagabundo, os Bolsonaro e aliados ainda associaram o crime ao PCC. Essa fantasia também foi desmoralizada pelas investigações. Mas não adianta. A turma segue com a tal narrativa do crime político, com autoria intelectual da esquerda, do PT, de Lula e companhia.

Sabe-se que a reação dos filhos de Bolsonaro, logo após a facada no pai, durante caminhada de campanha em Juiz de Fora, foi esta: “Ganhamos a eleição”! Um mártir – real ou farsante – gera comoção, solidariedade e, neste caso, dividendos eleitorais. Foi o que motivou a ilação de Flávio agora, a julgar o teor de seus comentários.

Parte da esquerda e rivais políticos insinuam há oito anos que o atentado contra Bolsonaro foi uma armação. Outro absurdo, com sinal trocado. Mas isso não muda em nada a tese exposta aqui. Em sentido figurado, ou metafórico, é claro, Flávio daria tudo para encontrar uma facada que o transformasse num mártir de araque. Por aí.