É do jogo da política, não adianta reclamar. O modelo está consagrado nas três esferas. Toda aliança tem como uma das moedas principais a nomeação de cargos em comissão. Pode até ser um tanto melancólico reconhecer, mas ministérios, secretarias e outros órgãos na máquina pública servem (também) para isso. Ao fechar apoio a um prefeito, por exemplo, um deputado ou um senador “têm o direito” de indicar secretários.

O que vale para uma liderança individual vale também para um partido. Se está na base do governo federal, nada mais natural do que ocupar ministérios. O negócio é tão sério que, mesmo não havendo unanimidade na legenda, o acordo está valendo. É o caso do PSD de Gilberto Kassab. Dividida, a sigla é governo e oposição ao mesmo tempo. Tem até candidato a presidente. Ainda assim, pelo apoio parcial, ocupa o tesouro ministerial. 

Como se diz nesses tempos de ressignificação generalizada, incluindo a linguagem, há muitas camadas a se considerar. Um aspecto que, vez por outra, chama atenção é a exoneração em massa de servidores em decorrência de uma aliança que se desfaz. Foi o que ocorreu recentemente na prefeitura de Maceió e no governo do Estado.

Escrevo sobre o assunto motivado pelas informações divulgadas pelo jornalista Lauro Jardim em O Globo. Segundo ele, o vice-governador Ronaldo Lessa cogita recorrer à Justiça após a demissão de dezenas de funcionários que fazem parte da estrutura da Vice-Governadoria. Mas, reitero, se é do jogo, faz sentido essa reação?

Lessa explica que seus indicados em secretarias foram dispensados – e até aí ele entende. O problema foi a exoneração de 33 funcionários que atuavam na base de seu gabinete. Além de assessores, até o pessoal da segurança, da copa e da limpeza caiu. Tudo isso porque Lessa anunciou aliança com o ex-prefeito João Henrique Caldas.

Do jeito que a coisa ficou, não há a mínima condição de trabalho, segundo o vice. Mas o mais grave foi a dispensa de socorristas que acompanham o vice-governador, que acaba de completar 77 anos e, como é público, enfrenta problemas de saúde. Mesmo assim não perdeu o bom humor ao falar com O Globo: “O governador quer matar o velho”.

De novo, assim é a política. Certamente Paulo Dantas não deseja mal ao vice, suponho eu. O caso merece reflexão dados o alcance e o número de exonerações de uma hora pra outra. Fica a impressão de que os cargos comissionados servem somente para esse tipo de presepada. E como ficam as atividades? É uma pergunta retórica, resignadamente.

No mais, que Ronaldo Lessa possa cuidar da saúde. É um quadro de respeito.