Valdemar Costa Neto, mandachuva número um do PL, a facção partidária que abriga os principais nomes do bolsonarismo, foi definitivo: mandou João Henrique Caldas pegar o beco porque o ex-prefeito de Maceió se recusou a apoiar a candidatura de Arthur Lira ao Senado. Em entrevista à Jovem Pan, o chefe do PL reafirmou que o deputado federal tem o apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro. E JHC, está claro, não tinha alternativa.
Na verdade, pelas palavras de Valdemar, a posição de Bolsonaro é mais do que um simples apoio ao alagoano. A negociação foi algo do tipo ou vai ou racha. Não foi apresentado a JHC qualquer outro caminho, uma possibilidade de acordo, uma saída honrosa. Nada. Ou pede voto para Lira ou está fora do partido imediatamente.
E assim foi. E por que foi assim? Somente os dois – Lira e Bolsonaro – poderiam responder com todos os detalhes. Mas essa revelação não acontecerá. Não estamos diante de algo trivial. Não tenho notícia de outro caso de mesma envergadura, digamos assim. Nenhuma ação do ex-presidente nas eleições estaduais causou tamanho estrago.
Condenado a 27 anos de cadeia por tentar um golpe, para ficar no cargo mesmo perdendo a disputa para Lula, Bolsonaro dá a palavra final sobre as candidaturas do PL ao Senado. Isso causou confusão em Santa Catarina, com a imposição do perturbado Carluxo como candidato a senador por aquele estado. Faltou pouco pra sair porrada.
Mas nada se compara ao que se passou em Alagoas. Porque Bolsonaro preferiu perder um candidato fortíssimo a governador em nome de um velho acordo com Arthur Lira. Tanto é assim que, na entrevista à Jovem Pan, Valdemar lamenta não ter as candidaturas de JHC e da ex-primeira-dama Marina Candia. Foi uma jogada fora dos padrões.
Como presidente da Câmara, Lira se deu bem com Bolsonaro no Planalto. Foi um casamento perfeito. Dessa tabelinha nasceu o orçamento secreto, que até hoje rende milhões em emendas parlamentares. No período em que os dois estavam no topo, um protegeu o outro e vice-versa. Como se nota, a “amizade” atravessou crises e tormentas.
Filiado ao PP, que faz parte da federação com o União Brasil, Arthur Lira também se entrosou com Lula presidente. O homem é o animal político por excelência, como se diz por aí. Se tudo der certo para ele, com apoio radical de Bolsonaro – e a camaradagem de Lula –, daqui a menos de um ano o alagoano estará na presidência do Senado. Por aí.
