A orientação dos marqueteiros é para que Flávio Bolsonaro represente o papel de fofura. Nas redes sociais, ele já apelou para a exaltação da família – um clássico nas armações da política. Num vídeo-encenação, vemos “parte da rotina” deste brasileiro exemplar. Ele pega cedo no batente, leva as crianças para a escola, combina o dia com a companheira e, claro, pensa em projetos para salvar o Brasil. Agora ninguém segura este país.
Na peça de campanha, disfarçada de postagem espontânea, estamos diante de um pai carinhoso, dedicado à mulher e à educação de duas filhinhas. Chefe de família e cidadão de bem. E podem avisar aos interessados que, ao contrário da pregação criminosa do pai, Flávio tomou vacina contra a Covid-19. Tudo isso está na gravação marqueteira.
Numa mostra de que não está de brincadeira, o senador pelo Rio de Janeiro apresenta, no mesmo vídeo, Fernanda Bolsonaro, sua candidata à primeira-dama do país. Descontraída, em tom de leveza fabricada, ela atribui ao marido a qualidade da moderação. Mas como diabos isso seria possível? Há coisas eternamente incompatíveis.
E este é o caso aqui. O filho Zero Um do capitão da tortura entregou a maior honraria do estado do Rio de Janeiro a um assassino de aluguel. O miliciano Adriano da Nóbrega recebeu a homenagem (Medalha Tiradentes) em plena cadeia. Alguém consegue explicar como um pacifista devota tamanha admiração a um matador em série?
O candidato imposto pelo ex-presidente é tão bolsonarista quanto os piores bolsonaristas. É um legítimo membro da extrema direita que não aceita derrota eleitoral. Se perder, parte para o golpe de Estado. Jair Messias tentou, mas foi barrado pelas instituições e acabou condenado a 27 anos de prisão. De pai para filho, é tudo golpista.
A turma esclerosada do mercado – nossa elite tosca, ignorante e truculenta – andava à busca de um representante do tipo Bolsonaro pai, mas com um disfarce de “comedido”. E encontrou. Com essa ideia na cabeça oca, Flávio vestiu a fantasia e está por aí tentando emplacar um personagem imaginário. Miliciano e paizão afetuoso.
A ver como este modelo de gentileza e respeito aos direitos humanos vai se comportar no calor da campanha. Os Bolsonaro reverenciam torturadores – e mostraram isso com orgulho ao longo dos anos. Nunca disfarçaram o padrão abjeto de suas condutas e pensamentos. De repente, no país da comédia, a piada do Flavinho Moderado!
