A inesperada movimentação do vice-governador Ronaldo Lessa sacudiu a chamada pré-campanha eleitoral. O líder do PDT em Alagoas estaria negociando aliança com João Henrique Caldas – revelou o jornalista Edivaldo Júnior na Gazetaweb. Lessa seria candidato a vice de JHC na disputa pelo governo estadual. Na imprensa brasileira, ninguém até hoje cogitava essa aliança. De vez em quando, sopra uma surpresa.

A repercussão parece forte entre os grupos diretamente envolvidos nos acertos da hora para fechar candidaturas. E o clima ficou mais agitado dentro de casa, com manifestações de lideranças ligadas há décadas ao ex-governador. Em rede social, Lessa não disse nem sim nem não, mas quem sabe, estamos aí para conversar. 

As palavras inconclusivas do atual vice de Paulo Dantas acabam por confirmar que existem tratativas em andamento. Caso isso se concretize numa chapa JHC-Lessa, teria havido alguma reviravolta ideológica? Claro que não. Nem com a reaproximação com o PSDB, nem com a parceria com o ex-prefeito de quem Lessa já foi vice.

Lessa e Téo Vilela nunca foram inimigos mortais. Pelo contrário. Estiveram mais alinhados do que distantes a cada eleição. A última tabelinha mais forte foi em 2006. Após dois mandatos de governador, Lessa foi o candidato ao Senado na chapa com o tucano. Somente um saiu vitorioso. Em 2010, voltaram à condição de rivais.

Além dos arranjos locais, há sempre o dilema sobre o palanque nacional. Lessa é lulista. JHC seria Flávio Bolsonaro. De última hora, Ciro Gomes pode ser candidato a presidente – sendo que agora como um novo velho quadro do PSDB. E afinal que peso terá a escolha na corrida presidencial sobre os rumos da disputa alagoense? Muito? Zero?

Depende. Nomes do PL e outros partidos de direita declararam apoio a uma candidatura de JHC a governador. Mas, nesse caso, o ex-prefeito teria de estar ao lado de Flávio. Então por que sair do PL e perder todo o aparato para uma campanha bilionária? Também se especula sobre os rumos do voto bolsonarista nesta guerra particular.

Entre o eleitor militante e o eleitor pragmático, veremos o que sairá – levando-se em conta que há um universo particular da militância e um universo particular do pragmatismo. Por aí. O que isso tem a ver com Ronaldo Lessa, João Henrique e o PSDB? Em Minas, PT e tucanos podem se aliar. Polarização não explica mesmo as coisas.