Oficialmente, a campanha eleitoral nem começou, mas a caçada ao voto parece em ritmo acelerado. Um sinal de que as estripulias de pré-candidatos estão na praça é a postura da Justiça Eleitoral alagoana. Em poucos dias, que eu lembre, o TRE tomou ao menos quatro decisões para barrar supostas jogadas eleitoreiras. A seguir com esse modelo, teremos uma batalha particular acirrada no “tapetão” entre juízes e tribunais.

Primeiro, o TRE alagoano vetou a publicação de uma pesquisa sobre a corrida para o Senado e a disputa pelo governo. Segundo a decisão, o que sobrava de especulações faltava em objetividade e transparência sobre os números apresentados. Suspeita-se que o “levantamento científico” era encomenda de um dos lados da guerra.

Logo em seguida, duas estrelas do atual panorama político estadual apareceram no centro de outra decisão do TRE. Os alvos foram o governador Paulo Dantas e o ex-prefeito de Maceió João Henrique Caldas. Dantas divulgara pesquisa suspeita. JHC fazia propaganda escancarada durante visita ao interior do estado. Não pode, pessoal.

Em todas essas situações, o caminho para consagrar o delito eleitoral, é claro, foram as redes sociais. Assim como se fosse tudo muito natural, sem querer querendo, figuras públicas de destaque não resistem à janela de oportunidade – ainda que seja um janelão fora da lei. Se não tem vigilância pra valer, a tapeação predomina.

Mas quem resiste ao apelo de um “corte” certeiro, capaz gerar repercussão até devastadora contra o adversário? Na política, ninguém resiste. Por isso a ordem nos virtuais comitês é operar uma devassa na trajetória dos rivais e, com isso, produzir peças para alimentar a campanha – que não prática já começou em boa parte.

Desde o triunfo da comunicação digital, em particular com a explosão das redes sociais, cada eleição se torna mais complexa. É mais difícil fiscalizar, aferir consequências e aplicar punições aos malfeitores na briga pelo voto. A maratona eleitoral de 2026 tem na inteligência artificial sua grande estrela. É uma quadra inédita para o país.

Seja como for, o trabalho é duro para os gabinetes do ódio e para os escritórios de advocacia. São duas instâncias com atuações simultâneas e potencial de conflito no mesmo time. Não é por acaso que Dantas e JHC se meteram diretamente no meio da bagaceira. Alguém precisa alertar os líderes sobre o risco de uma tacada irregular.

Por tudo isso e muito mais, o Tribunal Superior Eleitoral armou um esquema para barrar o crime via IA. Afinal, pode-se fazer qualquer coisa com a ferramenta que mudou tudo na produção de texto e imagem. Por enquanto, as decisões do TRE-AL não tratam desse aspecto. Até aqui, há pesquisa e propaganda em fraude analógica, digamos assim.