Um dia desses, vereadores de Maceió, de diferentes partidos, se bandearam em massa para os lados do PL, o partido da extrema direita corrupta e truculenta. Foi uma festa. O grupo, que já apoiava o então prefeito João Henrique Caldas, ficou ainda mais governista. Estrutura de campanha, um monte de cargos e um bom trocado garantiram a amarração. A troca partidária sinalizou para a candidatura de JHC ao governo estadual.

Como presidente estadual do PL, João Henrique se mexeu para consolidar uma chapa competitiva. Nessa empreitada, contou com o entusiasmo de gigantes, tipo Leonardo Dias e Cabo Bebeto – um vereador e um deputado que estão aí no incansável trabalho de “renovação da política”. Havia também aliados de outras legendas.

É o caso do deputado federal Fábio Costa, aquele que usa a Polícia Civil como escada para seu arrivismo particular. Outro engajado no projeto JHC 2026 era o também deputado federal Alfredo Gaspar. Costa cumpre as ordens de Arthur Lira, presidente estadual do PP. Gaspar trocou o União Brasil pelo PL em função da mesma aventura.

De repente, tudo virou de cabeça pra baixo. Para entender o que se passa nos últimos dias, nas últimas horas, o grande público precisa parar, olhar e prestar atenção. JHC deixou o PL e virou tucano – com as bênçãos de Téo Vilela e Aécio Neves, o presidente nacional do PSDB. Com a mudança, o que parecia encaminhado desandou para sempre. 

De queridinho dos reacionários que rastejam por Bolsonaro, JHC virou praticamente inimigo mortal da turma do PL. Gaspar manda recado claro de rompimento. O parlamentar não admite “aproximação com a esquerda”. (Ainda bem, digo eu, para a esquerda). A chapa esquentou de vez com a inesperada parceria JHC e Ronaldo Lessa.

Sobrou naturalmente para o novo prefeito de Maceió, Rodrigo Cunha. A patota do PL já trata o ex-aliado a pontapés. É um gestor “café com leite”, nas palavras de Leonardo Dias. Fabio Costa, o dublê de delegado, vai na mesma pegada. Cunha é acusado de lotear a prefeitura com nomes escolhidos por seu parça, o ex-prefeito tiktoker.

No meio do tiroteio, apareceu o caso da nova secretária municipal de Saúde, Lara Barbosa Malta, acusada de tentativa de fraude num curso de medicina (Jesus!). Os valentes do PL “exigem” de Cunha a demissão da indicada pela família Malta, que domina os currais de Canapi, Inhapi e Mata Grande, no sertão brabo de Alagoas.

Ela não será demitida, porque afinal o PL não manda mais nada na prefeitura. Já o prefeito não tem autonomia para decidir o caso. Ele obedece fielmente aos conchavos construídos por JHC e outros caciques de olho nas urnas logo ali. Não tem retorno.

Como JHC não será o candidato de Bolsonaro e dessa direita rastaquera de Alagoas, a expectativa é sobre o nome substituto. O primeiro da fila é o próprio Alfredo Gaspar, que tem todas as credenciais para representar o pântano bolsonarista. 

O cabaré dos cidadãos de bem pega fogo. Sem dúvida, o melhor é torcer pela briga.