A extrema direita não quer saber de conversa sobre emprego, renda, inflação, crédito escolar e programas sociais em geral. Seja na corrida pela Presidência ou nas disputas regionais, a turma reacionária foge do debate acerca da economia. Quando a pauta é o fim da escala 6x1, aí a hostilidade é a regra nesse universo político. Os temas que afetam a qualidade de vida dos brasileiros não servem para incendiar a disputa eleitoral.
O que a turma de Bolsonaro e derivados querem é falar de STF, de “terrorismo à brasileira”, de combate à ideologia de gênero e outras assombrações que povoam a mente autoritária. Isso dá gritaria, dá confusão nas redes e “gera engajamento”. A vida tá difícil? Vote em candidato que detona o Supremo e a “ditadura de toga”.
Um dos projetos mais relevantes agora em discussão é sobre jornada de trabalho. O fim da citada escala 6x1 avança no Congresso Nacional – apesar da mediocridade e de interesses espúrios de muitos parlamentares. Os mais descarados já falam em “bolsa-patrão” para compensar as supostas perdas que haverá aos donos do dinheiro.
Aliás, no setor empresarial o lobby contra a proposta é vergonhoso. O único “argumento” é recorrer ao catastrofismo – o que não é argumento, mas chantagem grosseira. A direção da tal Abrasel, entidade que reúne donos de hotéis, bares e restaurantes, já mandou avisar: vamos repassar a conta para os consumidores. Podre!
Já escrevi aqui sobre o tema e lembrei que o mesmo raciocínio foi usado contra o 13º salário, as férias remuneradas e o pagamento de hora extra. Sem exagero, a mesma lógica dos empresários de agora foi sacada pelos senhores da Casa-Grande para tentar barrar o fim da escravidão. Não dá para levar a sério essa trambicagem retórica.
A PEC do fim da escala 6x1 foi aprovada na CCJ – que não discute o mérito, mas a legalidade constitucional do que está sendo proposto. Agora uma comissão especial começa a debater os termos dessa revolução na vida de milhões de trabalhadores.
E como vota a bancada federal alagoana? Segundo divulgado pela própria Câmara, sete dos nove deputados assinaram a PEC. Mas isso não garante o voto final de apoio lá adiante quando o plenário decidir a parada. Muita conversa ainda vai acontecer.
Houve apoio suficiente para levar o tema à ordem do dia. Se isso será traduzido em aprovação definitiva, veremos. O presidente da Câmara, Hugo Motta, diz que a Casa decidirá antes da eleição. É manter a pressão sobre as Excelências de Alagoas.
