No intervalo de dois anos aproximadamente, são 16 desaparecidos e 7 mortos, num total de 23 vítimas. Nesta semana, mais dois jovens sumiram sem deixar rastro. Os números chamam atenção e assustam. Na categoria empresarial, o avanço da violência é visto como ameaça aos grandes negócios do turismo no Litoral Norte alagoano. A criminalidade pode sabotar o badalado destino batizado de Rota Ecológica de Milagres.

O roteiro turístico nessa rota inclui os municípios de Passo do Camaragibe, Porto de Pedras e São Miguel dos Milagres. Antigamente se chamava Costa dos Corais. É provável que essa região seja a mais recomendada pelos vendedores de aventuras. Internet afora, sites especializados em farra e lazer exaltam o “paraíso de praias deslumbrantes”.

Na imprensa nacional, a Folha divulgou amplas reportagens sobre a onda de desaparecimentos naquele pedaço de Alagoas. Logo os demais veículos pegaram a pauta – obrigatória – e deram também destaque ao que vem ocorrendo. Resultado: Alagoas volta ao noticiário (e às manchetes) com episódios de crime e violência.

Vamos lembrar que, entre outras extravagâncias, a Rota Milagres é alvo do olho grande dos endinheirados. É ali que Neymar Junior investe uma bolada para erguer condomínios destinados a poderosos e celebridades. Os hotéis e pousadas mais chiques querem privacidade total no turismo para poucos. Fora com a plebe que bagunça a área.

As famílias dos mortos e desaparecidos vivem dias dramáticos no “paraíso”. Mães pedem socorro às autoridades. A Secretaria de Segurança responde de modo singelo, curto e grosso: era tudo envolvido com o tráfico de drogas. Os sumiços e as mortes sinalizam uma briga por território, com o Comando Vermelho no topo dessas ações.

Se o tratamento dispensado aos parentes das vítimas é assim desleixado, isso muda quando os reclamantes são os megaempresários que ganham dinheiro com o turismo. Os potentados de Milagres e região – donos até de praias particulares – falam grosso com o governo e exigem providências imediatas. Do jeito que está, não pode.

Fato é que uma avalanche de notícias negativas sobre um lugar – como é o caso aqui – tende a criar sérios problemas, alguns irreversíveis. A expansão do turismo para ricos na região movimenta uma indústria milionária. Por isso, representantes do segmento esperam por um plano estratégico do governo – para além da repressão localizada.

Para fechar, acrescento que alguns empresários não esperam pelas vias oficiais na busca por soluções. São aqueles que recorrem à pressão por meio de aliados na esfera pública. Neste momento, lideranças políticas agem como lobistas de grandes empresários junto à gestão estadual. Por enquanto, a postura do governo desagrada todos os lados.